Quarta-feira, 29 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de julho de 2026
Como a assessoria jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), especialistas ouvidos pela coluna discordam de automática irregularidade eleitoral na exibição de vídeo com imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, gerado por inteligência artificial. O professor de Direito Constitucional Max Kolbe lembra que as imagens foram exibidas em uma convenção partidária, ambiente de natureza intrapartidária: “a legislação eleitoral admite manifestações políticas dirigidas aos convencionais”.
Tudo às claras
“Não houve ocultação da tecnologia nem tentativa de convencer o público de que Bolsonaro havia efetivamente gravado”, diz o advogado.
Tá limpo
Kolbe também afasta suposto crime de Jair Bolsonaro, se confirmado que o ex-presidente não participou da produção do vídeo.
No seu quadrado
À Bandnews TV, a advogada eleitoralista Francieli Campos lembrou que regras para propaganda intrapartidária são diferentes da eleitoral.
Processo moroso
Francieli diz ainda que eventual punição a Flávio dificilmente acontece este ano e frisou que o senador tem “imunidade parlamentar”.
Recurso é enganação de Lula: OMC está paralisada
Está no campo da demagogia eleitoral a jogada de Lula (PT) de “apelar à Organização Mundial do Comércio (OMC)” contra o tarifaço do governo dos Estados Unidos, a fim de esticar o caso o máximo possível, até pela falta de entregas. Porém, como esta coluna já mostrou, a OMC está paralisada desde 2019, quando o primeiro governo Donald Trump abandonou e paralisou o Órgão de Apelação (Appellate Body), o que foi mantido nos anos Joe Biden e, claro, na atual administração Trump.
Decisão americana
Como a OMC está “congelada” por decisão dos EUA, não é razoável que o tarifaço de Trump venha a ser revertido… por representantes de Trump.
Competência eliminada
Não se encontrasse em estado catatônico, o Órgão de Apelação seria o caminho na OMC para bater o martelo sobre a controvérsia. Seria.
Congelado
O Órgão de Apelação da OMC está paralisado desde dezembro de 2019. Nos últimos sete anos não resolveu qualquer controvérsia.
Faltou Vorcaro
Lula será visto mais uma vez com Jaques Wagner (PT-BA), investigado por ligações com falcatruas do Banco Master, na convenção do PT-BA no sábado (1º). Eles nem convidaram o amigo comum Daniel Vorcaro…
Unidos em operação
O sepultamento precoce da CPI do Banco Master marca uma aliança dissimulada do governo Lula com grande parte dos seus opositores. Uns e outros enrolados até o pescoço no escândalo da fraude financeira.
Delação criativa
Ao contratar o advogado de Mauro Cid, Vorcaro faz prosperar a suspeita de que sua nova proposta de delação seguirá a lógica de deixar felizes ministros do STF, ferrando o filho como coronel ferrou o ex-presidente.
Teatro no Itamaraty
Batendo o pé de irritação com afirmações de Javier Milei sobre nossas autoridades, o chanceler Mauro Vieira tem reunião nesta quarta (29) com Julio Bitelli, embaixador em Buenos Aires. Mas é só teatro para fotos.
Regime intocável
Veio do presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, reflexão sobre não poder criticar as urnas, como o fez Flávio Bolsonaro (PL): “Significa que o regime seria intocável; o que é absurdo, ele não é intocável”.
Oposição perde todas
Arthur do Val (Missão-SP) sofreu mais um revés, desta vez no STF. Alexandre de Moraes negou recurso e manteve a cassação do ex-deputado estadual, conhecido como Mamãe Falei.
Nexo do terrorismo
Em seu relatório ao Departamento de Estado dos EUA sobre Cuba, Thomas Pigott diz que o governo americano “vê o regime cubano atuando como o nexo, o nó desse extremismo de extrema esquerda”.
Que fique claro
A partir desta quarta-feira faltam menos de dez semanas para a definição do novo presidente da República. São 67 dias até o primeiro turno e 88 dias até o segundo turno de 2026.
Pensando bem…
…apelando inutilmente à paralisada OMC, só falta Lula recorrer contra o tarifaço junto ao GATT, organismo de comércio extinto em 1995.
Poder sem Pudor
Defunto eleitor
Reza o folclore político de Pelotas que o fazer campanha para deputado estadual no Rio Grande do Sul, em 1974, Elias Bainy teria adotado como estratégia percorrer velórios em Pelotas. Chegava de mansinho, com ar consternado, e cumprimentava os familiares do falecido. Um dia chegou atrasado a um velório, mas a tempo de segurar a alça do caixão. Reconheceu, ao lado, na outra alça, o irmão de um adversário, que, de tão triste, parecia conhecer o morto. Bainy cochichou: “Quem é o finado ilustre?” O homem foi de uma sinceridade desconcertante: “Não sei, mas a família é numerosa e quase todos têm idade de votar…”
Cláudio Humberto
@diariodopoder