Terça-feira, 17 de maio de 2022

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Estados Unidos insinuam que a Rússia retém gás, gerando crise de energia na Europa

Os Estados Unidos prometeram apoiar os países europeus atingidos por uma crise no fornecimento de energia, pela qual algumas autoridades e operadores culpam a Rússia, e garantiram que “enfrentariam” os fornecedores acusados de manipulação de preços.

O forte aumento dos preços do gás por causa da oferta restrita e das reservas baixas obrigou os governos europeus a elaborarem planos de ajuda emergencial para famílias e concessionárias de energia. Fontes do mercado de energia disseram que as medidas adotadas pela Gazprom, a gigante do setor energético controlada pelo Kremlin, para limitar o fornecimento contribuíram para o temor de que haja uma crise de energia devastadora neste inverno.

A secretária de Energia dos Estados Unidos, Jennifer Granholm, disse que o aumento dos preços “levantou graves preocupações e questionamentos sobre a confiabilidade da oferta existente e a segurança na Europa”.

“Nós e nossos parceiros [europeus] temos de estar preparados para continuar a resistir onde há operadores que podem estar manipulando a oferta para se beneficiarem”, acrescentou ela.

A Rússia é o maior fornecedor de gás da Europa e responde por cerca de 40% das importações. A Gazprom tem cumprido seus contratos de longo prazo com clientes europeus, mas restringiu novas vendas complementares ao mesmo tempo em que permitiu que os estoques de suas instalações na Europa caíssem para níveis baixos.

“É claro que todos queremos estar atentos para a questão de manipulações de preços do gás por retenção ou por deixar de produzir o necessário para o abastecimento”, disse Granholm durante uma visita a Varsóvia. “Estamos examinando isso com muita seriedade e estamos unidos aos nossos aliados europeus para garantir que tenham um fornecimento de gás adequado e acessível neste inverno.”

Os comentários de Granholm foram feitos depois de um apelo da Agência Internacional de Energia (AIE) à Rússia para que aumente seu fornecimento para a Europa e de uma demanda de membros do Parlamento Europeu para que Bruxelas inicie uma investigação sobre as ações da Gazprom. A secretária de Energia não citou diretamente a Gazprom nem a Rússia.

A oferta de energia tornou-se uma questão geopolítica extremamente sensível entre a Europa, os EUA e a Rússia, dada a dependência histórica que a Europa tem de Moscou e ao colapso das relações da Rússia com o Ocidente na última década.

Já faz tempo que os Estados Unidos pedem aos países europeus que diversifiquem suas importações de gás e alertam que a situação atual deixa o continente vulnerável à influência do Kremlin. Não está claro o que os EUA poderiam fazer para aumentar a pressão sobre os fornecedores russos.

Washington se opôs veementemente ao recém-concluído gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha, com o argumento de que ele aprofundará a dependência europeia de Moscou. O gasoduto não passa pela Ucrânia, que perderá a taxa de trânsito que cobra pela passagem do gás no gasoduto atual. Os EUA tinham sanções às construtoras do Nord Stream 2 até pouco tempo atrás.

Autoridades da Gazprom e do Kremlin têm dito que a Rússia pode aumentar as vendas de gás assim que a Alemanha e a União Europeia aprovarem o início do funcionamento do gasoduto, o que ampliou as suspeitas de que a restrição nas vendas foi uma medida para tentar acelerar essa decisão.

O Kremlin já sugeriu que a atual crise de abastecimento comprova a necessidade de ter mais gasodutos. Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin, disse ontem que a Europa precisa comprar mais gás russo se quiser ampliar o fluxo de trânsito via Ucrânia, pois parte do fluxo atual será desviado para o novo gasoduto.

“Há uma verdade muito simples: primeiro você vende o gás, depois o extrai e só então faz o transporte. Não se pode transportar gás sem vendê-lo”, disse Peskov, de acordo com a agência de notícias russa Interfax.

Ele acrescentou que a Gazprom já fornece uma quantidade quase recorde de gás para a Europa e cumpre suas obrigações contratuais “em 100% e até mais”. Peskov culpou o mercado à vista pela alta dos preços, que a Rússia diz ser mais caro do que fechar acordos de longo prazo sobre o gasoduto.

“Eles [a UE] preferem dar muita ênfase ao mercado à vista. Mas é o mercado à vista que leva a esse aumento abrupto e galopante dos preços”, disse Peskov.

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