Quarta-feira, 18 de maio de 2022

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China mantém trava contra a carne do Brasil

Pecuaristas, indústrias e o Ministério da Agricultura ainda aguardam respostas da China sobre a retomada dos embarques de carne bovina brasileira para aquele mercado. A suspensão voluntária das exportações, adotada em cumprimento ao protocolo sanitário bilateral e em decorrência da investigação de casos atípicos do “mal da vaca louca” em Minas Gerais e Mato Grosso, completou 20 dias nesta quinta-feira (23) e já provoca problemas na cadeia produtiva.

Por se tratar de uma “repetição” das medidas adotadas em 2019, quando outro episódio atípico da doença foi identificado no País, o Brasil esperava que a reabertura do mercado fosse mais rápida dessa vez. Naquela ocasião, a retomada aconteceu em 13 dias.

Sem novidades de Pequim, governo e setor produtivo estão em compasso de espera. Todas as informações técnicas já foram entregues — inclusive em mandarim — na semana passada. A China teve um feriado prolongado no início desta semana, mas a expectativa era que alguma reação fosse divulgada já na quarta-feira (22).

O governo brasileiro trabalha com cuidado para evitar ruídos de comunicação com os chineses, o que poderia atrapalhar ou retardar ainda mais a reabertura. E tem o respaldo da própria Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para a retomada, que ainda no início do mês concluiu que os casos de “vaca louca” no Brasil não representam riscos sanitários para o rebanho nacional.

Ansioso, o mercado pecuário brasileiro espera que o quadro seja revertido nesta semana. No governo, a expectativa é que a reabertura aconteça nos próximos dias. “Tecnicamente e sanitariamente, não há razão para manter o embargo por mais tempo”, disse uma fonte.

Outros mercados

A Arábia Saudita, que chegou a suspender as exportações de cinco frigoríficos mineiros, já retomou as compras. A Rússia aplicou restrições para receber carne de animais comprovadamente com menos de 30 meses de idade.

O secretário de Assuntos Econômicos da Embaixada do Irã no Brasil, Mohsen Shahbazi, afirmou que a Organização Agroveterinária do país (IVO, na sigla em inglês) cogitou suspender as exportações de abatedouros de Mato Grosso e Minas Gerais, mas voltou atrás depois da nota da OIE. Os embarques continuaram sem interrupções.

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