Domingo, 13 de setembro de 2026

Europa reafirma segurança do aspartame três anos após alerta da OMS

Três anos depois de uma avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS) desencadear um intenso debate global sobre a segurança do aspartame, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA, na sigla em inglês) voltou a revisar as evidências científicas disponíveis e chegou a uma conclusão que, longe de endurecer as restrições, reafirma a posição regulatória atual: o adoçante continua sendo considerado seguro dentro dos limites de consumo vigentes.

No Brasil, a Anvisa mantém a recomendação de que o consumo de aspartame é seguro no Brasil e respeita o limite de ingestão diária aceitável (IDA) de até 40 mg por quilo de peso corporal.

A decisão foi publicada ontem como parte da reavaliação do sal de aspartame-acesulfame (E962), um aditivo utilizado em bebidas e alimentos sem açúcar ou com baixo teor calórico. A EFSA lembrou que, uma vez ingerido, esse composto se decompõe em duas substâncias já conhecidas: aspartame (E951) e acessulfame K (E950). Após revisar as evidências mais recentes, o órgão concluiu que não existem problemas de segurança associados aos níveis atuais de exposição a esses adoçantes.

O aspartame é um dos adoçantes artificiais mais utilizados no mundo. Desde a década de 1980, faz parte de uma ampla variedade de produtos sem açúcar ou com redução de calorias. Especialistas explicaram que ele está presente em refrigerantes light, chicletes sem açúcar e outros alimentos produzidos com adoçantes não calóricos. Também é usado em diversas bebidas, sobremesas, iogurtes e produtos dietéticos voltados para a redução do consumo de açúcar.

Na época, a OMS destacou que o aspartame era um dos adoçantes mais consumidos do mundo e que as quantidades presentes em bebidas dietéticas comuns estavam muito abaixo dos limites considerados seguros. Como exemplo, informou que uma pessoa com peso entre 60 e 70 quilos precisaria consumir entre nove e 14 latas de refrigerante por dia para ultrapassar a ingestão diária aceitável estabelecida por organismos internacionais.

A notícia reabre uma controvérsia que ganhou destaque em julho de 2023, quando o Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês), vinculado à OMS, classificou o aspartame como “possivelmente cancerígeno para seres humanos” (Grupo 2B). A decisão foi baseada em evidências consideradas limitadas sobre uma possível associação com determinados tipos de câncer, especialmente o câncer de fígado.

No entanto, naquele mesmo ano, outro órgão ligado à OMS, o Comitê Conjunto FAO/OMS de Especialistas em Aditivos Alimentares (JECFA), chegou a uma conclusão diferente. Após analisar o risco real associado ao consumo, manteve a recomendação de não ultrapassar uma ingestão diária aceitável de 40 miligramas por quilograma de peso corporal.

A reavaliação europeia agora se alinha a essa posição. A EFSA confirmou novamente a ingestão diária aceitável de 40 mg por quilo de peso corporal por dia para o aspartame e ratificou o limite de 15 mg por quilo para o acessulfame K. Além disso, informou que as estimativas atuais de consumo em todas as faixas etárias da população europeia permanecem abaixo desses limites.

À primeira vista, a classificação da OMS e a conclusão da EFSA podem parecer contraditórias. No entanto, os próprios organismos explicam que não avaliam exatamente a mesma coisa. O IARC analisa se uma substância tem potencial para causar câncer em alguma circunstância, enquanto a EFSA e o JECFA avaliam o risco concreto associado aos níveis habituais de exposição da população. Essa diferença metodológica é fundamental para entender por que uma substância pode ser considerada um perigo potencial e, ao mesmo tempo, continuar sendo considerada segura dentro de determinados limites de consumo.

A avaliação europeia incluiu a revisão de estudos toxicológicos, epidemiológicos e mecanísticos, além de dados sobre consumo alimentar provenientes de 46 pesquisas realizadas em 23 países da União Europeia. Também incorporou a literatura científica publicada até junho de 2025.

Em seu parecer, a EFSA afirmou que não encontrou novas evidências que justificassem alterar as conclusões alcançadas em avaliações anteriores sobre o aspartame. O órgão também destacou que nem o aspartame, nem o acessulfame K, nem o sal de aspartame-acesulfame apresentam preocupações de segurança nas atuais condições de uso.

A decisão, contudo, foi recebida com críticas por organizações de defesa do consumidor e da saúde pública. Segundo a agência AFP, as ONGs Foodwatch, Yuka e a Liga Contra o Câncer classificaram o parecer como “escandaloso” e afirmaram que ele ignora evidências científicas recentes. As entidades também lembram que mais de 400 mil pessoas apoiaram uma petição solicitando a proibição preventiva do aspartame na Europa. (Com informações do La Nacion)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Vício em bets faz procura por atendimento médico e psicológico aumentar em 104% no Brasil
Dizer “eu te amo” no terceiro encontro é sinal de alerta? Veja o que dizem psicólogos
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play