Domingo, 13 de setembro de 2026

Saiba o que é o vírus do Nilo, que provocou 41 mortes na Itália e já chegou ao Brasil

A Itália registrou 41 mortes e 594 casos confirmados do vírus do Nilo Ocidental este ano. Os números constam no boletim semanal do Instituto Superior de Saúde (ISS), que reúne as notificações contabilizadas até 8 de setembro. No Brasil, já foram confirmados quatro casos em 2026, sendo que um deles resultou em morte. Os Estados afetados até o momento são São Paulo e Santa Catarina.

O vírus do Nilo Ocidental pertence à família Flaviviridae, a mesma da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1937 em Uganda, e por isso recebeu esse nome. Hoje, ele circula em várias regiões de praticamente todos os continentes.

A infecção é transmitida principalmente pela picada de mosquitos Culex, o pernilongo comum, e causa uma doença chamada febre do Nilo Ocidental. Aves, sobretudo espécies migratórias, funcionam como os principais reservatórios naturais. Os mosquitos adquirem o vírus ao picá-las e podem transmiti-lo posteriormente aos seres humanos e a outros animais.

A maioria das pessoas infectadas não desenvolve sintomas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 20% podem apresentar sintomas leves, semelhantes aos da dengue, como febre aguda de início abrupto, frequentemente acompanhada de mal-estar; anorexia (falta de apetite); náusea ou vômito; dor nos olhos; dor de cabeça; dor muscular; exantema maculopapular (manchas vermelhas na pele) e linfoadenopatia (nódulos e pequenos caroços).

Uma pequena parcela dos pacientes, no entanto, pode desenvolver a forma neuroinvasiva da doença, considerada mais grave, que ocorre quando o vírus atinge o sistema nervoso e pode provocar complicações como meningite, encefalite ou, em alguns casos, paralisia. O risco de evolução para quadros mais graves é maior entre idosos, pessoas imunossuprimidas e indivíduos que apresentam doenças crônicas, grupos que, por essas condições, estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de complicações.

Até o momento, não há tratamento antiviral específico disponível para a febre do Nilo, de modo que a abordagem adotada é voltada principalmente para o controle dos sintomas e para a manutenção das condições clínicas do paciente. O tratamento sintomático pode incluir medidas como hospitalização, repouso e reposição adequada de líquidos, conforme a gravidade do quadro e a necessidade de cada paciente. Nos casos mais graves, especialmente quando há comprometimento neurológico ou outras complicações importantes, é indicado que o paciente seja atendido em uma unidade de terapia intensiva (UTI), onde poderá receber acompanhamento contínuo e suporte médico adequado, com o objetivo de reduzir a ocorrência de complicações e, consequentemente, o risco de óbito.

Não existe vacina contra o vírus do Nilo Ocidental disponível para humanos. As principais medidas de prevenção incluem o uso de repelente, telas em portas e janelas e evitar água parada e locais sem saneamento básico; não despejar lixo em valas, valetas, margens de córrego, rios e riachos (o mosquito transmissor da doença gosta de água suja para se reproduzir); além de evitar manusear animais mortos. (Com informações do jornal O Globo)

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