Sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Estresse no trabalho pode estar associado à disfunção erétil, aponta estudo

Uma rotina marcada por jornadas extensas, pressão por promoções e pouco apoio dos superiores pode produzir efeitos que ultrapassam o ambiente profissional. Um estudo realizado na China identificou uma associação entre níveis elevados de estresse no trabalho e maior ocorrência de disfunção erétil entre homens jovens.

A pesquisa acompanhou 826 trabalhadores em tempo integral, com idades entre 22 e 40 anos, entre 2022 e 2024. Para descartar outras causas de problemas de ereção, a equipe excluiu homens com diabetes, doenças cardíacas, lesões na medula espinhal, distúrbios hormonais, uso de medicamentos que afetam a função sexual ou que trabalhavam em turnos noturnos ou rotativos.

Os pesquisadores criaram uma pontuação denominada Índice de Acúmulo de Estresse Psicológico no Trabalho, que considerou fatores como carga horária, autonomia, apoio da chefia, relacionamento com colegas e pressão por promoções.

Os participantes foram divididos em quatro grupos, do menor ao maior nível de estresse. Os resultados, publicados na revista International Journal of Clinical Practice, mostraram que, entre os classificados no grupo de maior estresse profissional, 54% apresentaram dificuldades de ereção. No grupo submetido à menor pressão, o índice foi de 8%.

Após ajustes para idade, peso, tabagismo e consumo de álcool, os homens do grupo com maior nível de estresse apresentaram probabilidade 10,26 vezes maior de sofrer de disfunção erétil em comparação com aqueles do grupo de menor estresse. A longa jornada de trabalho foi o fator isolado mais importante: cada acréscimo de dez horas semanais esteve associado a uma queda mensurável nas pontuações de função erétil. Já o apoio da chefia atuou como fator de proteção, especialmente entre os homens com jornadas mais longas.

Os exames de sangue reforçaram os resultados. O cortisol matinal aumentou cerca de 74% entre os grupos de menor e maior estresse, enquanto os níveis de testosterona foram 41% mais baixos entre os participantes sob maior pressão.

O ritmo diário do cortisol, que normalmente atinge o pico pela manhã e diminui à noite, também se tornou mais plano nos homens sob maior estresse. Segundo os pesquisadores, isso indica um sistema de resposta ao estresse funcionando de maneira acelerada durante todo o dia.

“A incidência de disfunção erétil em homens jovens tem apresentado uma tendência de crescimento nos últimos anos. Os fatores psicológicos, especialmente o estresse no ambiente profissional, recebem cada vez mais atenção”, afirmou Yang Zhou, um dos responsáveis pelo estudo da Faculdade de Medicina de Jiangsu, em Zhenjiang.

Por muito tempo, a disfunção erétil foi tratada principalmente como um problema físico ou relacionado ao envelhecimento. A pesquisa sugere que o estresse prolongado também pode interferir nos mecanismos hormonais e neurológicos envolvidos na resposta sexual.

A redução da testosterona pode afetar a libido, enquanto níveis elevados de cortisol e o estado permanente de alerta podem dificultar a obtenção ou manutenção de uma ereção. Privação de sono, esgotamento e longas jornadas também reduzem o tempo e a disposição para a intimidade.

Os autores ressaltam, entretanto, que o estudo mostra uma associação e não comprova que o estresse profissional seja a causa direta da disfunção erétil.

Mulheres

O estresse no trabalho também pode afetar a vida sexual das mulheres. Estudos anteriores associaram níveis elevados de estresse profissional a pior lubrificação, menor facilidade para atingir o orgasmo e menor excitação genital.

Uma possível explicação é que o estresse mantenha o cérebro em estado de alerta, dificultando a concentração nos estímulos sexuais. Isso não significa necessariamente uma redução da atração pelo parceiro.

Outras pesquisas também apontam que níveis elevados de estresse no trabalho estão associados a menor desejo e satisfação sexual. Por outro lado, casais com maior conexão emocional parecem ser menos afetados por essa dinâmica. A intimidade pode funcionar como um amortecedor dos efeitos da tensão profissional.

Entre as estratégias para reduzir esse impacto estão estabelecer horários para se desconectar de e-mails e tarefas profissionais, reservar o quarto para descanso e intimidade, conversar abertamente com o parceiro sobre os níveis de estresse e praticar atividades que ajudem a aliviar a tensão, como exercícios físicos, ioga ou massagens. (Com informações do jornal O Globo)

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