Sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Ex-assessor de presidente da Câmara dos Deputados deu “apoio operacional” a entregadores de dinheiro em Maceió, diz Polícia Federal

O ex-assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), Luciano Cavalcante, investigado por supostamente integrar um esquema de compra de kits de robótica, deu “apoio operacional” a um casal de Brasília que entregava dinheiro vivo, durante uma passagem por Maceió, aponta um relatório da Polícia Federal. O ex-auxiliar emprestou um carro de alto padrão para os operadores do esquema se movimentarem pela capital alagoana durante cinco dias, em janeiro deste ano.

Cavalcante foi exonerado do gabinete da liderança do PP em 2 de junho, um dia após ser alvo da Operação Hefesto, da PF. Ele já havia trabalhado diretamente com Lira, e sua mulher e seu irmão foram empregados por indicação do presidente da Câmara na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), estatal com recursos milionários, em Maceió.

A caminhonete Toyota Hilux usada pelos operadores durante a estadia na capital alagoana está em nome do policial civil Murilo Sergio Juca Nogueira Junior. O agente também é investigado pela Polícia Federal. Em um endereço ligado a ele, a Operação Hefesto apreendeu uma mala e um cofre lotados de dinheiro vivo. Embora o veículo esteja em nome do policial, o casal de Brasília devolveu o carro na casa de Luciano Cavalcante, ao fim da viagem.

Investigação

O policial civil aparece nas investigações como destinatário de R$ 550 mil do empresário Edmundo Leite Catunda Júnior, sócio da Megalic LTDA – fornecedora de kits de robótica para municípios alagoanos -, entre 24 de abril e 23 de outubro de 2020. A PF identificou que a empresa enviou outros R$ 300 mil a Nogueira Júnior entre 2 e 31 de janeiro de 2020. De acordo com as apurações da Polícia Federal, os contratos superfaturados de dezenas de prefeituras para compra de kits estão no centro do esquema, efetivado por meio do repasse de emendas do orçamento secreto, revelado pelo Estadão.

No relatório da Operação Hefesto, a PF afirma que Luciano Cavalcante e a mulher dele, Glaucia Maria de Vasconcelos Cavalcante, são “prováveis” beneficiários finais do fluxo de dinheiro originado na Megalic. A polícia afirma que os valores saíam da empresa, eram transferidos a pessoas jurídicas de fachada e “usufruídos por meio da utilização do veículo Hilux e da magnífica casa construída no luxuoso condomínio”.

A Polícia Federal passou meses monitorando o passo a passo dos integrantes do suposto esquema e registrou, em vídeos e fotos, a atuação do grupo em cidades como Brasília, Anápolis (GO), Goiânia e Maceió. Os policiais identificaram que um casal fazia saques em dinheiro vivo e entregava em diversos endereços.

Em uma dessas atuações, Pedro Magno Salomão Dias e Juliana Cristina Batista Salomão Dias foram flagrados chegando à casa de Luciano Cavalcante, em um condomínio de alto padrão em Maceió, para entregar o carro que usaram durante a estadia na capital. Segundo a PF, o condomínio é um dos locais “mais luxuosos da cidade, abarcando a presença de moradores ilustres da alta elite social da capital alagoana”. Na Câmara, o ex-assessor recebia um salário de R$ 14,7 mil.

A PF acompanhou a viagem do casal por Alagoas entre 26 e 30 de janeiro. O objetivo, segundo o relatório, era registrar a ida de ambos a bancos da cidade para ver, em seguida, em quais locais eles entregariam os valores. No primeiro dia em Maceió, o casal foi flagrado pelos agentes em três agências bancárias. Lá, sacaram ao menos R$ 115 mil.

“Chama muita atenção o deslocamento de Pedro Magno e Juliana para Maceió-AL para realização de saques em espécie em agências bancárias e, logo em seguida, realizar pagamentos para terceiros”, apontou a polícia.

O relatório da PF registrou que, após sair de uma das agências, Pedro Magno estava com uma bolsa “rechonchuda, bastante volumosa, aparentando possuir vultosa quantia em dinheiro”. O entregador esteve em um edifício empresarial e, segundo a polícia, saiu de lá sem os valores. A PF não identificou, no circuito interno de câmeras, qual foi a sala onde Pedro Magno esteve.

Lira já declarou publicamente que não tem relação com qualquer irregularidade ligada à compra de kits de robótica pelo FNDE. Como mostrou o Estadão, o presidente da Câmara direcionou recursos do orçamento da União para cidades alagoanas que acabaram utilizando o dinheiro para a compra dos kits investigados pela PF.

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