Quarta-feira, 20 de maio de 2026

Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não defende Flávio

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi questionada publicamente, pela primeira vez, sobre o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ela evitou comentar o caso e afirmou que o próprio parlamentar deve se posicionar sobre o assunto.

Na semana passada, o vazamento de um áudio em que Flávio cobra recursos financeiros de Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a gerar desgaste na pré-campanha presidencial do senador. Aliados admitem, reservadamente, que podem rever o apoio ao projeto político caso surjam novos desdobramentos da investigação.

Michelle participou do lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia, vice-presidente do PL Mulher no Distrito Federal, que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados.

“A gente está aqui na inauguração da pré-candidatura da Maria Amélia, nossa futura deputada federal. Sobre Flávio, você tem que perguntar para ele”, afirmou Michelle ao ser abordada por jornalistas no evento. “Estou cuidando do meu marido e, quando consigo conciliar a agenda, participo de eventos como esse”, acrescentou.

Mais cedo, Flávio se reuniu em Brasília com aliados e parlamentares do PL para prestar esclarecimentos sobre sua relação com Vorcaro, que havia negado proximidade com o senador antes da divulgação dos áudios pelo site Intercept Brasil.

Após a reunião, o senador confirmou ter visitado o banqueiro em São Paulo depois que ele deixou a prisão domiciliar pela primeira vez, no fim do ano passado. A informação já havia sido divulgada pelo portal Metrópoles.

Segundo relatos, o encontro ocorreu após Flávio cobrar pagamentos atrasados relacionados ao financiamento do filme. Em mensagens trocadas com Vorcaro, o senador se referiu ao banqueiro como “irmão”.

A crise ocorre em meio às tentativas do parlamentar de conter os impactos políticos do caso sobre sua pré-candidatura à Presidência da República.

Os recursos solicitados ao banqueiro fariam parte de um acordo em que Vorcaro teria se comprometido a financiar parte da produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. Em um áudio enviado em setembro de 2025, Flávio demonstra preocupação com os atrasos nos pagamentos.

“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, afirmou o senador na gravação.

Dois meses depois, um dia antes da primeira prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, Flávio voltou a procurá-lo por mensagem.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu.

A investigação também passou a apurar a origem e o destino dos recursos utilizados no projeto. Parlamentares e empresas ligadas ao filme apresentaram versões divergentes sobre contratos, pagamentos e a estrutura financeira usada na produção.

Uma das linhas de investigação busca esclarecer se recursos enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, foram utilizados exclusivamente na produção do filme ou também ajudaram a custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.

Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando embarcava para Dubai em um jatinho particular. Ele passou ao regime domiciliar no fim daquele mês, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com uso de tornozeleira eletrônica.

Em março deste ano, porém, o banqueiro voltou a ser preso por determinação do ministro André Mendonça, após suspeitas de tentativa de obstrução das investigações.

Flávio afirmou que a visita ocorreu antes da segunda prisão de Vorcaro e alegou que o encontro teve o objetivo de encerrar a relação entre ambos.

“Fui sim ao encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele. Fui para botar um ponto final nessa história. Se ele tivesse me avisado que a situação era grave desse jeito, eu já teria buscado outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco”, declarou o senador.

(Com O Globo)

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