Sábado, 22 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de agosto de 2026
Viaturas blindadas, aeronaves e sensores inteligentes que registram perdas em tempo real. Esses foram os aparatos usados pelo Exército Brasileiro em uma simulação de guerra na Amazônia que durou quatro dias. O treinamento ocorreu na fronteira Norte do país e mobilizou mais de 1,1 mil militares num percurso de 550 km que atravessou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
A última etapa do treinamento ocorreu na quinta-feira (20), na sede do município de Normandia, no interior de Roraima. Na ação final, 260 militares travaram um combate de ataque e defesa para “reconquistar” o aeródromo do município.
A simulação em Normandia ocorreu às margens da rodovia BR-401. A tropa foi dividida em 200 militares de ataque, enquanto 60 atuaram na linha de defesa do local a ser reconquistado. O efetivo incluiu militares de Roraima, Amazonas e Rio de Janeiro.
O Exército utilizou 140 equipamentos com sensores nos capacetes e coletes dos militares, fornecidos pelos Centros de Adestramento (CA) da Amazônia e Leste. Quando um militar era “atingido”, o equipamento emitia um aviso sonoro que indicava se ele havia sido morto ou ferido.
No caso de ferimento, o soldado ainda poderia ser resgatado pela equipe, mas, caso o equipamento indicasse “morto” por meio do sinal de voz, o militar sentava no chão e retirava o capacete, ficando “fora de combate”.
O uso desses equipamentos é usado como forma de incentivar os militares a colocarem os treinamentos e instruções de combate do Exército em prática. Os dados dos coletes são enviados para um computador, que registra baixas e movimentos para elaboração de relatórios de desempenho.
Tiros de festim
Durante o combate, foram utilizados tiros de festim, munição composta apenas por uma cápsula com pólvora, sem o projétil (parte da bala que viaja pelo ar e causa ferimentos reais). Houve troca de tiros em diversos pontos da vila, conforme os militares de ataque avançaram em direção ao aeródromo.
A presença das tropas despertou os moradores de Normandia no início da manhã. Em uma escolinha da cidade, o som dos disparos foi ouvido por alunos e funcionários. A orientadora pedagógica Isadora Constância relatou que o Exército avisou a população com antecedência, mas o efetivo nas ruas surpreendeu.
“Não é todo dia que a gente vê uma presença muito grande de soldados na rua. As crianças escutaram os tiros e a gente ficou curioso”, disse ela ao g1. “Saber que o Exército está atuando e ver com os próprios olhos é uma experiência diferente”, acrescentou a moradora.
Uso de blindados
O exercício empregou 39 viaturas blindadas, incluindo os modelos Guaicurus e Guarani. O Guaicurus é um veículo 4×4 usado para proteção e mapeamento de áreas, operado apenas pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva. O Guarani é utilizado para o transporte de tropas.
A marcha de combate começou no entroncamento da BR-174 com a BR-433, em Surumu, cruzou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol e seguiu até Normandia. Na simulação de ataque na região do Contão, houve apoio de aeronaves de ataque A-29 Super Tucano.
A manobra testou a capacidade da tropa de reconquistar um território invadido. Segundo o major Pedro Xavier, da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, a unidade é preparada para ser acionada em situações de emergência, com militares prontos para entrar em ação a qualquer momento.
“O Exército sempre busca estar pronto por meio do seu preparo para as diversas operações que podem aparecer para ele”, explicou o major. “Esse adestramento materializou nossa vocação principal, que é a defesa externa no extremo norte do país”, concluiu. (As informações são do g1)