Quarta-feira, 27 de maio de 2026

Exportações do agronegócio no RS passam de R$ 16 bilhões no primeiro trimestre

Balanço divulgado nessa terça-feira (26) pela Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) aponta um montante de US$ 3,2 bilhões (mais de US$ 16 bilhões) em exportações pelo agronegócio do Rio Grande do Sul entre janeiro e março. Trata-se de do quarto melhor desempenho para o trimestre nos últimos anos, apesar da retração de 3,8% em relação a igual período no ano passado.

Ainda conforme o documento, o resultado equivale a 72% das vendas externas do setor nos três  primeiros meses do ano. No que se refere à baixa relativa ao mesmo intervalo em 2025, os motivos apontados incluem principalmente a redução das exportações do complexo soja, do fumo e de seus derivados, bem como de produtos florestais.

Os números e índices constam no “Boletim Indicadores do Agronegócio do RS”, coordenado pelo pesquisador Sérgio Leusin Júnior e divulgado pelo governo gaúcho por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da SPGG.

“Apesar da retração no resultado consolidado do trimestre, alguns segmentos do agronegócio gaúcho registraram desempenho recorde e ajudaram a atenuar a queda nas exportações”, ressalvam os técnicos responsáveis pelo levantamento. O setor de carnes apresentou o melhor resultado entre os principais segmentos exportadores, somando US$ 743,1 milhões (alta 22,4%) em relação ao período correspondente no ano anterior e novo recorde para um primeiro trimestre.

O avanço foi puxado principalmente pela carne suína, que cresceu 49,6%, impulsionada pelo aumento da quantidade embarcada, e pela carne bovina, com alta de 44,8%, favorecida pela valorização dos preços no mercado internacional.

Também registraram crescimento as exportações de animais vivos, que avançaram 147,4% e atingiram recorde para o período, com embarques de cerca de 84 mil cabeças de bovinos, principalmente para a Turquia, além das máquinas e implementos agrícolas, que tiveram alta de 24,2%.

Retrações

O resultado geral do trimestre foi influenciado, principalmente, pela redução nas exportações do complexo soja (-27,2%), fumo e seus produtos (-25,8%) e de produtos florestais (-19,9%).

No caso da soja, a retração esteve concentrada na soja em grão, refletindo a menor disponibilidade do produto após a quebra de safra provocada pela estiagem em 2025, embora derivados como óleo e farelo tenham registrado crescimento no período.

No fumo, a queda decorreu da combinação entre menor quantidade embarcada, preços internacionais menos favoráveis e retração das compras por parte da China. Já nos produtos florestais, a redução se concentrou em celulose e madeiras, especialmente nas vendas para os Estados Unidos.

Destinos

No comércio exterior, o agronegócio gaúcho também ampliou a presença em novos mercados, o que contribuiu para reduzir parte das perdas em destinos tradicionais. As exportações para o Egito cresceram 174,6%, impulsionadas principalmente pelo milho, enquanto as vendas para as Filipinas avançaram 158,2%, puxadas pela carne suína.

Também houve expansão para a União Europeia (18,2%). No sentido oposto, China e Vietnã registraram retração nas compras, influenciadas principalmente pela menor demanda por soja em grão, fumo, trigo e farelo de soja.

Emprego

No mercado de trabalho, o agronegócio liderou a geração de empregos com carteira assinada no Rio Grande do Sul de janeiro a março, com uma fatia de 49,3%. O setor registrou saldo positivo de 23.123 postos formais, resultado da diferença entre 96.327 contratações e 73.204 demissões.

O segmento agroindustrial liderou a criação de vagas, com 15.137 novos empregos, seguido pelas atividades agropecuárias, com 8.687 postos. Na indústria de abate e fabricação de carnes, o estoque de empregos formais chegou a 72.461 vínculos ativos em março, recorde histórico para o setor.

“Para os próximos meses, a expectativa é de recuperação das exportações do complexo soja com a entrada da safra de 2026, cuja produção está estimada em 18,3 milhões de toneladas, volume 34,6% superior ao da temporada passada”, complementa o site oficial planejamento.rs.gov.br.

(Marcello Campos)

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