Terça-feira, 21 de julho de 2026

Fala do presidenciável Romeu Zema sobre Michelle como vice irrita cúpula do partido de Bolsonaro e amplia mal-estar com o bolsonarismo

A declaração do pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) poderia integrar uma eventual chapa presidencial como candidata a vice provocou forte reação na cúpula do PL e ampliou o desgaste entre o ex-governador de Minas Gerais e o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A fala foi interpretada por dirigentes bolsonaristas como uma tentativa de explorar divergências internas da legenda em meio às articulações para as eleições de 2026.

A declaração foi feita no sábado (18), durante o 10º Encontro Nacional do Novo, em São Paulo. Questionado por jornalistas sobre uma possível composição de chapa com Michelle, Zema respondeu que ela estava entre os nomes considerados.

“É uma possibilidade, como outras também são. O critério que nós temos é que a pessoa seja ficha limpa”, afirmou o presidenciável.

A resposta provocou reação imediata da ex-primeira-dama. Em publicação nas redes sociais, Michelle descartou qualquer possibilidade de integrar uma chapa presidencial liderada por Zema. Ela lembrou que é filiada ao PL e destacou que o partido já possui um candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Estou filiada ao PL. Um mesmo partido não pode ter duas cabeças de chapa concorrendo em coligações distintas para os mesmos cargos majoritários. Portanto, não há nenhuma possibilidade de isso acontecer”, escreveu. Michelle acrescentou ainda que sequer definiu se disputará uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano.

Nos bastidores, integrantes da direção nacional do PL afirmaram que a fala de Zema foi recebida com irritação por ocorrer justamente em um momento em que a legenda tenta reduzir tensões internas envolvendo Michelle e Flávio Bolsonaro. Segundo interlocutores do partido, a menção ao nome da ex-primeira-dama foi vista como uma tentativa de alimentar especulações sobre uma crise interna e fortalecer politicamente a candidatura do ex-governador mineiro.

Aliados de Flávio Bolsonaro também afirmaram que Michelle nunca participou de qualquer conversa sobre deixar o PL para integrar uma chapa presidencial de outro partido. Reservadamente, dirigentes classificaram a declaração de Zema como “fogo amigo” e disseram que o episódio gerou desconforto em um momento considerado estratégico para a consolidação da candidatura do senador.

O episódio representa mais um capítulo do distanciamento entre Romeu Zema e o bolsonarismo. Nos últimos meses, a relação entre o ex-governador e o PL já havia sido marcada por atritos públicos. Em maio, Zema criticou duramente Flávio Bolsonaro após a divulgação de mensagens envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro. As declarações provocaram reações de lideranças bolsonaristas e aprofundaram o desgaste entre os dois grupos políticos.

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