Sábado, 01 de agosto de 2026

Falha técnica na Bolsa brasileira atrasa pregão em três horas

A B3, Bolsa de Valores brasileira, registrou um atraso de mais de três horas na abertura do pregão nesta sexta-feira (31) por causa de uma falha operacional. As negociações, tradicionalmente iniciadas às 10h, começaram apenas por volta das 12h45.

Operadores do mercado financeiro relataram dificuldades para visualizar posições. Ao fim do dia mais curto, o volume financeiro negociado na Bolsa foi de R$ 13,96 bilhões, quase 40% abaixo dos R$ 23,22 bilhões registrados no pregão anterior. Em julho, a média diária do volume financeiro negociado na Bolsa foi de R$ 22,2 bilhões.

Com isso, o mercado de câmbio começou a operar às 9h35, enquanto os DIs e a bolsa iniciaram suas atividades apenas após às 12h30. O problema fez com que os investidores operassem com cautela durante a maior parte do pregão, o último do mês, que geralmente marca ajustes de posição de investidores e gestoras de recursos.

Apesar disso, a Bolsa brasileira fechou em alta de 0,47%, aos 177.999 pontos, o maior patamar desde 14 de maio, quando o Ibovespa encerrou o pregão aos 178.365 pontos.

A B3 afirmou ter adotado a medida de forma preventiva depois de detectar uma falha técnica pontual. “Alinhada com participantes do mercado, decidiu no início da manhã de hoje (31 de julho) postergar o início da negociação contínua em seus mercados. A medida teve como principal objetivo preservar a integridade das informações, a segurança dos processos de pós-negociação e o adequado funcionamento da infraestrutura de mercado”, informou a Bolsa. As operações de compra e venda aconteceram apenas por meio de leilões durante a manhã.

Depois do encerramento do pregão, a B3 informou que a sessão foi encerrada conforme horários estabelecidos. Os processos de pós-negociação ainda estavam em andamento pouco antes das 19h, mas, segundo a B3, “conforme planejado”.

Procurada pela reportagem, a B3 não deu mais detalhes sobre a origem dos problemas operacionais.

Em agosto de 2025, o Ibovespa e outros índices da B3 passaram uma manhã fora do ar, mas sem afetar as cotações de ações e câmbio.

Para Gabriel Cecco, especialista da assessoria Valor Investimentos, a falha desta sexta ocorreu no processamento das operações e travou o envio dos arquivos da Câmara B3, responsável pelo registro, garantia e liquidação das operações. “Sem esses arquivos, corretoras e bancos não conseguem visualizar as posições, garantias e margens dos clientes. Em outras palavras, ninguém sabia exatamente qual era a exposição de cada participante.”

Segundo ele, a decisão da B3 foi correta diante da impossibilidade de visualizar as posições dos clientes. “Nessa situação, abrir o pregão às pressas teria sido muito pior do que adiar.”

Cecco afirma, contudo, que o episódio gerou mal-estar, principalmente entre operadores de mercado. “O relato de quem estava nas mesas foi de muito estresse e de uma rotina completamente interrompida: profissionais sem conseguir visualizar posições, sem referência de preços e sem respostas para dar aos clientes.” Com informações da Folha de S. Paulo.

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