Terça-feira, 07 de dezembro de 2021

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Família de brasileiro baleado nos Estados Unidos revela que a polícia já localizou o atirador e identificou cúmplice

Cerca de dois meses depois, a Polícia de Chicago (EUA) já identificou os dois bandidos que aparecem em câmeras de segurança numa suposta tentativa de assalto, no bairro de Logan Square, que terminou com o brasileiro João Pedro Marchezani, de 23 anos, baleado na nuca. As informações são da família, que, enquanto isso, relata que tem recebido poucas atualizações por parte dos investigadores.

A mãe de João Pedro, Mônica Marchezani, questiona, por exemplo, o motivo pelo qual a dupla, que faria parte de uma antiga e perigosa gangue latina local, ainda não foi capturada. Esta semana, ela diz que irá à delegacia em busca de mais explicações para o caso.

“Vamos conversar essa semana com a polícia para ver se eles possuem mais alguma informação”, comentou a mãe de João Pedro. “Ao mesmo tempo que queremos acreditar que a polícia está fazendo um bom trabalho, achamos estranho saberem quem são e não prendê-los. Ao mesmo tempo, ficamos inseguros. Também não sei se, por serem gangbangers, há outra investigação correndo e, nesse caso, a polícia estaria tomando cuidado para não deixá-los escapar… confesso que estamos nos sentindo perdidos em relação a isso.”

Gangue latina 

Os detetives já sabem quem é o gangbanger de moletom preto, que nas imagens de câmeras de segurança aparece pilotando a moto que arma a cilada para o carro onde estavam João Pedro, a namorada e outros três amigos.

Além disso, de acordo com informações dadas à familia, os investigadores já sabem, inclusive, onde vive em Chicago o segundo suspeito, de casaco vermelho, que é quem aparece atirando oito vezes contra o carro, atingindo o brasileiro.

“Apesar das imagens, eles justificam que precisam de uma das vítimas para reconhecer ou alguém que tenha visto o crime”, contou Marchezani. “A polícia colheu depoimentos apenas na cena do crime, mas depois, ligou apenas duas vezes para o motorista do carro onde meu filho estava, se não estou enganada. Mas, depois disso, nunca mais chamou ninguém para depor ou tentar reconhecer os criminosos.”

O pouco que se sabe até o momento é que os dois homens fariam parte de uma gangue latina local, conhecida como Cobras (YLOC), que há muitos anos se expande e disputa territórios com outras quadrilhas rivais naquela região de Chicago. Mas, por enquanto, nem isso a polícia confirma ainda.

Em contato com os Marchezani, o detetive responsável pelo caso revelou que trata-se da primeira vez que a delegacia recebe um caso onde uma dessas gangues ataca dessa forma um civil, uma pessoa comum, apesar de, entre as próprias quadrilhas, casos como estes acontecerem quase que diariamente.

Recuperação

Recuperando-se de uma forma que tem chamado atenção até dos médicos, João Pedro Marchezani, que passou um mês em coma induzido, já despertou, recuperou a consciência, e hoje, através de sessões de fisioterapida, luta para, aos poucos, recuperar os movimentos do corpo. Como a bala atravessou sua cabeça, causando um inchaço no cérebro — o que motivou uma cirurgia de retirada temporária de parte do crânio —, ainda é uma incógnita se ele terá sequelas permanentes ao fim da recuperação. Por enquanto, ele continua sem enxergar e com pouca sensibilidade do lado esquerdo do corpo.

Toda a batalha pela vida do rapaz é registrada diariamente por Monica em sua rede social, como se fora um diário. A última grande notícia é de que o rapaz, que há pouco estava no CTI, irá receber alta e poderá continuar o tratamento em casa, em Ohio, num ambiente que precisará ser totalmente readaptado. A ideia era de que ele pudesse ir já nesta sexta-feira (19), mas, por uma questão de logística do hospital, a tendência é de que ele seja liberado no fim da semana seguinte.

“O João morava em Chicago, onde ele alugou o apartamento com a namorada, mas vai voltar a morar com a gente, em Ohio. Nossa casa é alugada, tem três níveis, e o João vai ficar no 3° nível, onde ficam os quartos e o banheiro. O quarto é amplo, vamos receber uma cama hospitalar para ele, cadeira de rodas, cadeiras de rodas assento sanitário, temos barra no banheiro, cadeira de rodas para banho e vamos colocar rampas portáteis. Como ele ainda não fica sentado por muito tempo, essas são apenas as primeiras adaptações”, contou a mãe. “Estamos procurando uma casa térrea, mas está difícil de encontrar.”

Outra preocupação neste momento está em relação ao transporte de João Pedro até Ohio — são mais de 400 quilômetros de distância de um estado para o outro.

“Talvez o transporte dele para Ohio seja aéreo, porque ele não fica sentado por muito tempo e a viagem para Ohio de ambulância seria muito longa”, acrescentou.

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