Sábado, 27 de novembro de 2021

Feijão perde terreno para a soja no Brasil e pode desaparecer

O amado feijão com arroz brasileiro pode estar com os dias contados, e não somente pela crise econômica e o aumento da pobreza, que vêm tornando o básico cada vez mais raro no país, mas pela própria produção do alimento.

Uma reportagem da BBC News Brasil mostra que, por trás da alta no preço está a escolha dos agricultores de substituir cada vez mais o feijão pelo cultivo de soja, tornando-o assim mais caro, mesmo sendo o Brasil historicamente um dos maiores produtores de feijão do mundo.

Segundo a matéria, no mesmo período em que a área das plantações de feijão no País foi reduzida em cerca de 35%, o cultivo de soja cresceu até 5 vezes, ampliando em 460% a dimensão das plantações.

Utilizada como base para diversos produtos e especialmente na produção de ração para a pecuária, o mercado de soja responde à demanda internacional, segura e atualmente em alta, enquanto o feijão é produzido essencialmente para o mercado interno brasileiro – para o consumo da nossa população. No mesmo período, também cresceu consideravelmente a produção de milho no Brasil.

Sobre tais variações econômicas, outros fatores agravaram o quadro, como a praga da mosca branca que, especialmente entre os anos de 2000 e 2001, acabou com duas safras inteiras de feijão, e principalmente o desmonte de políticas de segurança alimentar e nutricional que vinham sendo realizadas nos últimos anos, que deixa o estoque de produtos agrícolas básicos próximos à quantidade consumida.

A recomendação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) é de que os países mantenham ao menos três meses de estoque, para que as produções não sejam tão sensíveis a variações de mercado – segundo consta, atualmente o Brasil não possui quase nenhum estoque de feijão.

As projeções do Ministério da Agricultura para os próximos dez anos é que o domínio da produção de soja se amplie em mais 26,8%, alcançando cerca de 48,8 milhões de hectares. Por fim, entre outros fatores apontados pela matéria, pesa sobre o feijão a falta de investimento em pesquisas, para o desenvolvimento de novas variedades, melhorias genéticas, técnicas de adubação e cultivo, e combate às pragas.

O prato feito, portanto, está cada vez mais caro e, assim, mais raro na mesa brasileira: a máxima de que 9 entre 10 brasileiros preferem feijão vem se tornando preferência de luxo.

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