Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

FIERGS defende concessão da Malha Sul para modernização logística

FIERGS defende concessão da Malha Sul como eixo estratégico para modernização logística

Porto Alegre, janeiro de 2026 – A discussão sobre o futuro da ferrovia Malha Sul ganhou força com o posicionamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), que defende um novo modelo de concessão baseado em parceria público-privada. A atual concessão, operada pela Rumo Logística, expira em 2027, e o debate é considerado estratégico para a competitividade industrial da região.

Desafios regionais e impacto econômico

O presidente da FIERGS, Claudio Bier, destacou que o Rio Grande do Sul enfrenta um cenário crítico: perdeu mais da metade da sua malha ferroviária nas últimas décadas e hoje conta com apenas 921 km ativos, muitos em condições precárias. Para ele, a falta de visão estratégica comprometeu o modal ferroviário, essencial para um estado distante dos grandes centros consumidores e com vocação exportadora.

“Para as 52 mil indústrias gaúchas, uma logística ágil e com custos previsíveis é determinante para competir no mercado global”, afirmou Bier.

Propostas para a nova concessão

A FIERGS defende que o novo contrato contemple:

Investimentos compatíveis com décadas de atraso em aportes.

Modernização tecnológica dos trilhos e do material rodante.

Integração eficiente com portos, polos de carga e corredores rodoviários e hidroviários.

Regulação transparente e participação ativa dos usuários industriais.

O coordenador do Conselho de Infraestrutura da FIERGS, Ricardo Portella, reforçou que a deterioração da Malha Sul compromete toda a cadeia logística, afetando indústria, agronegócio, comércio e portos. Ele lembrou que o tema é recorrente nas discussões do programa Rota FIERGS 2025, voltado à interiorização da entidade.

Reconstrução pós-enchentes e integração regional

O debate também foi associado ao processo de reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. O secretário-adjunto de Logística e Transportes do estado, Clóvis Magalhães, destacou que o sistema ferroviário gaúcho ficou desconectado do restante do país, sobrecarregando as rodovias. Representantes de Santa Catarina e Paraná também relataram desafios semelhantes, reforçando a necessidade de uma solução integrada.

Perspectiva federal e investimentos previstos

Do lado do governo federal, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, apresentou o cronograma da nova concessão:

Edital previsto para setembro de 2026.

Leilão em dezembro de 2026.

Prazo de 35 anos para a concessão.

Investimentos de R$ 2,8 bilhões (capex).

Capacidade para transportar até 5,7 milhões de toneladas por ano.

Ribeiro lembrou que o Brasil exporta mais de US$ 350 bilhões anuais e que não há país com a dimensão econômica brasileira sem uma rede ferroviária robusta. Ele acrescentou que a União poderá aportar recursos para investimentos, reforçando o caráter estratégico da Malha Sul.

Em um contexto mais amplo, estão previstos oito leilões ferroviários no país, com R$ 656 bilhões em recursos, dos quais R$ 140 bilhões destinados especificamente à malha ferroviária.

Urgência e riscos

O superintendente de Transporte Ferroviário da ANTT, Alessandro Baumgartner, alertou que o debate é urgente: sem ferrovias, o escoamento da produção brasileira fica comprometido. Ele defendeu manutenção contínua e expansão da malha para evitar gargalos logísticos que afetam diretamente a competitividade nacional.

 

Conclusão

A defesa da FIERGS por um modelo de concessão moderno e integrado para a Malha Sul reflete a necessidade de reconstruir o modal ferroviário no Sul do Brasil. Mais do que uma questão de infraestrutura, trata-se de um projeto de desenvolvimento econômico e social, capaz de reposicionar a região no cenário global.

Com investimentos previstos, participação ativa do setor produtivo e integração com outros modais, a nova concessão pode transformar a logística brasileira e garantir que o Sul volte a ser protagonista no transporte ferroviário. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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