Segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Filho acusado de matar empresário para receber herança volta para a cadeia

Em decisão unânime, os integrantes da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) restabeleceram a prisão preventiva de um homem acusado de matar do pai, em Restinga Sêca (Centro-Oeste gaúcho), para receber a herança. Ele havia sido beneficiado por decisões de primeira instância que, desde dezembro do ano passado, o colocaram em liberdade e permitiram a retirada de tornozeleira eletrônica.

O novo avanço no processo atende a recursos do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), encaminhados pela promotora Sara Weiser Martins e, posteriormente, seu colega Átila Castoldi Kochenborger. Em paralelo à reversão das medidas anteriores, o órgão ajuizara ação declaratória de indignidade para impedir que o indivíduo receba a herança da vítima.

No julgamento da apelação, os desembargadores do colegiado entenderam que as medidas cautelares aplicadas ao réu não eram suficientes diante da gravidade concreta dos fatos. Já o pedido referente à sucessão patrimonial foi acolhida após manifestações do MPRS no inventário, mas o processo ainda aguarda decisão judicial.

“O Tribunal de Justiça reconheceu que permanecem presentes os fundamentos que justificam a prisão preventiva”, sublinhou o promotor Átila Castoldi Kochenborger. “Trata-se de um caso de extrema gravidade e a decisão reafirma a necessidade de preservar a ordem pública e assegurar a adequada aplicação da Justiça até que seja realizado o Tribunal do Júri.”

Detalhes

O acusado e sua mãe – ex-esposa da vítima – respondem pelo crime, cometido no dia 7 de março de 2024 em uma propriedade rural de Restinga Sêca, quando tinham respectivamente 21 e 42 anos. Eles foram presos na cidade de Santa Maria (Região Central) em setembro daquele ano e libertados em dezembro de 2025. Ainda não há data definida para o júri popular.

De acordo com investigação da Polícia Civil e denúncia do Ministério Público, a dupla planejou e matou o empresário Patrício Antonio Pillon, 44 anos. O objetivo era sobtetudo patrimonial, envolvendo dinheiro e bens a serem herdados.

Também consta no processo que o corpo foi ocultado em uma de mata próxima a uma fazenda, coberto por galhos e tendo ao lado uma faca. Mediante álibis forjados e simulação de cena de homicídio, o filho “descobriu” o cadáver dias depois, já em decomposição.

O rapaz foi pronunciado por homicídio qualificado pelos agravantes de motivo torpe, meio cruel e mediante dissimulação, traição e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e falsa identidade. Já contra a mulher consta no processo a denúncia por homicídio qualificado e falsa comunicação de crime. (Marcello Campos)

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