Terça-feira, 26 de maio de 2026

Filme sobre Bolsonaro virou “comédia de erros” que ameaça candidatura de Flávio, diz o Financial Times

O jornal britânico Financial Times publicou  uma reportagem afirmando que o filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, pode comprometer a pré-candidatura presidencial de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.

Segundo o periódico, a produção se transformou em uma “comédia de erros” antes mesmo da estreia, após revelações de que Flávio buscou financiamento para o longa junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e alvo de investigações sobre supostas fraudes bilionárias envolvendo a instituição. Áudios divulgados recentemente mostram o senador cobrando repasses financeiros para a realização do projeto audiovisual.

Na avaliação do Financial Times, a polêmica envolvendo o financiamento do filme levanta dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro, apontado por aliados como possível herdeiro político do pai após a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe relacionada aos atos posteriores às eleições de 2022.

“A revelação colocou o principal desafiante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de um amplo escândalo político que abalou Brasília, ameaçando a candidatura do senador nas eleições presidenciais”, escreveu o jornal britânico.

De acordo com informações divulgadas pelo Intercept Brasil, cerca de R$ 61 milhões de um total de R$ 134 milhões previstos para o projeto teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025. O Financial Times observa que o orçamento supera produções brasileiras recentes de grande porte, como O Agente Secreto, citado pela publicação como comparação de mercado.

O jornal ressalta, contudo, que apoiadores da produção afirmam que o orçamento seria compatível com padrões de Hollywood. Dirigido pelo cineasta americano Cyrus Nowrasteh, “Dark Horse” é descrito pelo periódico como um thriller político com elementos de conspiração, centrado na ascensão de Bolsonaro ao poder em 2018.

A reportagem também menciona outras controvérsias envolvendo o filme, entre elas denúncias trabalhistas relacionadas às gravações e questionamentos sobre o uso não autorizado de música da cantora Beyoncé.

Apesar do desgaste político, aliados de Jair e Flávio Bolsonaro avaliam que a produção pode alcançar repercussão internacional. O ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon afirmou ao Financial Times que pretende ajudar na divulgação do longa nos Estados Unidos e acredita que a presença do ator Jim Caviezel, identificado com setores conservadores ligados ao movimento Maga (“Make America Great Again”), pode ampliar o interesse pela obra.

“Se você está no Brasil e descobre que existe um filme sobre o ex-presidente, estrelado por uma estrela de Hollywood, isso amplia o alcance do investimento”, afirmou Bannon ao jornal.

Segundo versões do roteiro divulgadas anteriormente, o filme aborda temas religiosos voltados à base conservadora ligada ao bolsonarismo, além de mensagens anti-establishment, cenas relacionadas ao atentado sofrido por Bolsonaro durante a campanha de 2018 e elementos ficcionais inseridos na narrativa.

(Com O Globo)

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