Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de outubro de 2026
O fim da escala 6×1 deve impactar a rotina nos condomínios e elevar o preço das taxas cobradas dos condôminos. Síndicos e administradores de prédios residenciais e comerciais já começam a traçar rotas de como adaptar o funcionamento dos espaços para garantir dois dias de descanso aos mais de 553 mil porteiros, zeladores e profissionais de limpeza do país. Alguns caminhos são avaliados, mas, sejam quais forem as mudanças implementadas, o setor espera um aumento nos custos.
Representantes de empresas e entidades de gestão de condomínios ressaltam que os caminhos a serem adotados variam caso a caso. Isso porque as mudanças dependem das características do empreendimento e do comportamento dos moradores ou visitantes.
A situação deve ser mais desafiadora para os prédios que têm funcionários próprios, que em muitos casos trabalham oito horas por dia na escala 6×1. É o que destaca Sérgio Meira, diretor de Condomínios do Secovi-SP, sindicato que reúne as empresas de compra, venda e administração de imóveis.
Ele diz que, no caso dos profissionais de limpeza e zeladoria, a adaptação tende a ser mais tranquila, já que bastará acordar com os moradores a possibilidade de que em alguns dias se tenha menos profissionais trabalhando ou até mesmo dias em que não se tenha as atividades de manutenção e limpeza disponíveis.
Já a portaria tem especificidades. Meira explica que, num prédio em que a portaria funciona 24 horas, no modelo atual de jornada (6×1, com 8 horas diárias de trabalho), são necessários quatro porteiros: um para cada período do dia e um folguista.
Desse modo, ele acredita que uma opção seria a contratação de um profissional extra, o que eleva os custos da folha de pagamento, que já representa de 50% a 65% das despesas de um condomínio. Com mais um profissional, Meira calcula que o aumento das despesas implicaria um reajuste na taxa de condomínio de cerca de 10% a 15%.
Outro caminho seria a mudança da escala de trabalho de 8 horas diárias para 12×36 (12 horas de trabalho e 36 horas de descanso), o que precisaria ser aprovado em assembleia e aceito pelos funcionários.
“Já comecei a conversar com alguns condomínios que administro e as equipes estão começando a topar a mudança. É uma possibilidade de continuar com os funcionários que conhecemos e confiamos sem um custo adicional”, argumenta. “Mas se tiver que demitir alguém que não tope a mudança, também se tem custos demissionais.”
Empreendimentos já funcionam com equipes trabalhando em regime 12×36 serão impactados mais adiante, já que a Emenda Constitucional que implementa o fim da jornada 6×1 também reduziu a jornada de trabalho para 40 horas semanais. A mudança será gradual: o limite cai para 42 horas dois meses após a publicação da emenda e para 40 horas um ano depois.
O setor, porém, aguarda para saber se haverá regulamentações específicas do tema antes da mudança.
“Síndicos já começaram a nos procurar, perguntando o que vai mudar, como a situação vai ficar. Estamos esperando as definições para decidir. Mas já começamos a fazer os cálculos”, destaca Luiz Da Cal, gerente geral de Condomínios da Apsa, que tem 3 mil condomínios sob gestão nos estados do Rio, São Paulo, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais.
Há ainda a opção de terceirizar os serviços de portaria e limpeza, o que transfere para a empresa prestadora a tarefa de lidar com as escalas. A mudança, porém, também gera gastos, como o pagamento das verbas rescisórias dos profissionais antigos.
Para os prédios que já contam com funcionários terceirizados, a situação se inverte. CEO da RS Serviços, que atua no setor de mão de obra e segurança patrimonial, Renato Alves explica que, no caso dos porteiros, não é preciso fazer adaptações, já que a maior parte dos funcionários atua em escala 12×36.
O grande impacto, segundo o executivo, será na limpeza, que trabalha na escala 6×1.
“As negociações são caso a caso, mas calculamos um aumento de custo em torno de 20% para o cliente. Estamos correndo para nos adaptar a tempo”, diz.(Com informações do jornal O Globo)