Quarta-feira, 09 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de setembro de 2026
Uma fiscalização conjunta na Zona Leste de Porto Alegre levou à apreensão, nessa terça-feira (8), de 83 quilos de fios e cabos de energia que haviam sido furtados da concessionária CEEE Equatorial. O material estava em estabelecimentos irregulares na Vila São Pedro (também conhecida como “Cachorro Sentado”), bairro Partenon.
A operação contou com a participação de integrantes de órgãos vinculados à prefeitura e de forças de segurança estaduais. Foram vistoriados sete ferros-velhos e lavrados oito autos de infração pela Secretaria Executiva de Fiscalização (Sefis), por falta de alvará e ausência de licença de operação ambiental. Um suspeito acabou conduzido a Delegacia de Polícia Civil por receptação.
O saldo da ofensiva incluiu, ainda, o recolhimento de seis carrinhos abandonados em via pública pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e na notificação para retirada de materiais que ocupavam o passeio público – ao menos 40 toneladas de resíduos foram removidos pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU).
Desafio
Pesquisa divulgada pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas-POA) aponta o furto de fios e cabos como um dos principais desafios às autoridades de segurança pública. Proprietários de estabelecimentos do setor relatam ocorrências da modalidade em 29 dos 94 bairros da Capital, com destaque para o Azenha, que concentra 12% dos casos.
Em segundo lugar no ranking aparece o São Geraldo (9%) e dois dos mais tradicionais da cidade: Centro Histórico (8%) e Moinhos de Vento (7%). A estimativa é de mais de 9 mil lojas potencialmente impactadas, dimensão que se torna ainda mais evidente ao se levar em conta a quantidade de estabelecimentos comerciais de cada região:
– Centro Histórico (cerca de 1.260 lojas).
– Sarandi (860), na Zona Norte.
– Passo D’Areia (585), na Zona Norte.
– Floresta (460), na Zona Norte.
– Rubem Berta (460), na Zona Norte.
Os efeitos vão além da perda do material. Queda de internet e telefonia (80%), falta de energia elétrica (75%), prejuízo financeiro direto (68%), sensação de insegurança (62%) e paralisação das atividades (58%) estão entre os principais impactos relatados.
Em relação ao tempo de interrupção, 29% dos comerciantes afetados ficaram parados por mais de 24 horas, outros 29% entre seis e 24 horas e 29% entre duas e seis horas. O prejuízo estimado por episódio também é expressivo: 39% apontam perdas de R$ 2 mil a R$ 10 mil e 22% acima de R$ 10 mil.
A percepção dos comerciantes sobre a resposta do poder público também permanece crítica: 74% consideram que a atuação não tem sido adequada, enquanto 25% a avaliam como parcialmente adequada. Nos relatos abertos, aparecem com frequência pedidos por mais policiamento e rondas noturnas, fiscalização de ferros-velhos, punição efetiva para a receptação e parceria com a concessionária de energia.
Em abril, uma pesquisa inédita realizada pelo Núcleo de Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre apontou que 81,5% das empresas entrevistadas afirmaram ter sido afetadas por esse tipo de crime nos 12 meses anteriores, com prejuízos estimados em mais de R$ 240 milhões. Para combater os crimes relacionados, a entidade participa do Comitê Intersetorial de Combate ao Furto de Fios e Cabos (Cicabos), promovido pela prefeitura de Porto Alegre.
(Marcello Campos)