Terça-feira, 19 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de maio de 2026
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) criticou, nesta terça-feira (19), o fim da escala 6×1 e afirmou que a oposição irá apresentar uma nova proposta sobre a jornada de trabalho dos brasileiros.
“Com relação ao fim da escala 6×1, o Brasil se atualizou o mundo que nos vivemos hoje não é mais o de 1943, na época da CLT. Todos nós queremos trabalhar menos e ganhar mais, só que é uma legislação que está atrasada, engessada, que vai causar um impacto nos municípios de 50 bilhões reais por ano se for aprovada dessa forma”, disse o senador no início de seu discurso durante a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.
“O trabalhador é quem tem que escolher quanto tempo trabalha e não o governo. O salário mínimo será por horas trabalhadas sem redução e com com todos os direitos constituicionais garantidos: décimo terceiro, férias, fundo de garantia e INSS. É asim que temos que olhar para o trabalhador moderno”, acrescentou.
Segundo Flávio, a nova proposta vai beneficiar principalmente as mulheres e trará “liberdade” para o trabalhador escolher o tipo de jornada de trabalho.
“Por que não é o trabalhador que, conforme as suas necesssidades, é quem pode escolher sua jornada de trabalho? É mais do que justo. Muitas pessoas querem trabalhar mais, e a PEC [proposta pelo governo] pode enggessar quem quer trabalhar mais”, disse.
“Muitas pessoas querem trabalhar menos, para ter tempo livre. 23% das mulheres não conseguem trabalho por não ter onde deixar seus filhos, porque a jornada de trabalho inviabiliza, tem que ficar o dia inteiro fora de casa. A gente quer dar liberdade para que as pessoas escolham sua jornada de trabalho”, prosseguiu o senador.
A proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho está em sua semana decisiva. Isso porque o relator, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar a primeira versão do seu parecer na quarta-feira (20).
A proposta tem o objetivo de reduzir a jornada semanal de 44 horas para 40 horas, com dois dias de descanso e sem reduções salariais. O principal ponto de debate envolve uma regra de transição da mudança. Estão em articulação possíveis reduções escalonadas de uma ou duas horas por ano até chegar às 40h.
Setores produtivos pressionam por uma transição alongada, enquanto a base do governo defende a redução imediata, mas admite negociações para a diminuição de duas horas por ano na carga horária máxima semanal.
A PEC não deve trazer medidas específicas para categorias com jornadas diferenciadas. Após acordo entre o governo e Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, as especificidades de cada categoria devem ser tratadas via projeto de lei.