Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de setembro de 2026
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu manter Edson Fachin fora da linha de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e orientou o candidato a evitar críticas também a Gilmar Mendes, numa tentativa de preservar interlocutores na Corte enquanto explora eleitoralmente a crise envolvendo Alexandre de Moraes. Em paralelo, auxiliares do senador começaram a solicitar novas audiências com ministros para a próxima semana, ainda sem datas confirmadas, com o objetivo de acompanhar os desdobramentos da crise sem fechar canais de diálogo com o tribunal.
A estratégia foi acertada no entorno de Flávio após o julgamento desta terça-feira sobre a abertura de uma investigação envolvendo Moraes, interrompido por um pedido de vista de Flávio Dino. A avaliação é que o candidato continuará explorando a crise e subindo o tom contra Moraes, mas de forma seletiva: Fachin e Gilmar são tratados como nomes que devem permanecer fora do embate.
A orientação já pôde ser percebida no discurso de Flávio nesta quarta-feira. Durante agenda em Juazeiro do Norte (CE), o candidato voltou a vincular Lula ao Supremo e afirmou que “sem os ministros do Lula no Supremo, a democracia vive”. Auxiliares afirmam que ele foi orientado a ter cuidado para que a ofensiva não alcance ministros com os quais a campanha pretende manter interlocução.
Na segunda-feira, véspera do julgamento, os advogados criminalistas Matteus Macedo e Tracy Reinaldet foram ao Supremo e estiveram no gabinete de Fachin, segundo interlocutores. A assessoria do STF afirma que o presidente da Corte não recebeu os advogados naquele dia.
Canal com Gilmar
Com Gilmar, a interlocução é mais antiga. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, procurou o ministro no início do mês para discutir a crise no Supremo e deixar claro que a defesa do impeachment de Moraes não representava uma intenção de romper com o restante da Corte.
Na conversa, Marinho também buscou medir o ambiente no tribunal e os possíveis desdobramentos da disputa que então opunha Moraes e André Mendonça. Agora, segundo integrantes da campanha, a intenção é dar continuidade à interlocução e buscar novas audiências com ministros diante dos capítulos ainda em aberto da crise.
Gilmar também já manteve contato direto com Flávio. O ministro afirmou ter conversado algumas vezes com o candidato ao longo deste ano. A declaração foi dada ao negar a informação de que teria enviado um advogado de sua confiança para procurar Flávio em seu nome.
— Eu não preciso disso. Jamais vou usar intermediário. Já falei com ele algumas vezes este ano. Quando ele quiser, ele pode me procurar — afirmou Gilmar.
O ministro citou ainda, na mesma manifestação, o encontro recente com Marinho e disse ter recebido Michelle Bolsonaro duas vezes para tratar do pedido de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
A decisão de preservar Fachin e Gilmar estabelece, na prática, uma divisão na estratégia da campanha em relação ao Supremo. Moraes permanece como principal alvo da ofensiva, enquanto o entorno de Flávio tenta impedir que o confronto se estenda a ministros considerados canais de interlocução. No caso de Fachin, pesa ainda o fato de ele presidir a Corte durante uma crise cujos próximos capítulos podem coincidir com as semanas finais da campanha. Com informações do portal O Globo.