Quarta-feira, 13 de maio de 2026

Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para bancar filme sobre o seu pai

Em um áudio divulgado nesta quarta-feira (13), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, cobra um montante de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O dinheiro seria para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na conversa, Flávio chama o executivo de “irmão” e diz que estará sempre com ele.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, afirmou Flávio, em um trecho da conversa.

A conversa, publicada pelo portal Intercept Brasil, ocorreu em novembro do ano passado, um dia antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal (PF) por envolvimento em um esquema de corrupção que envolve o pagamento de propina, lavagem de dinheiro e lobby no setor político, de mídia e econômico. Parte do dinheiro teria sido paga por meio de transferências da Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, de acordo com a reportagem.

A reportagem afirma que pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio do ano passado por meio de seis operações. A produção do filme seria nos Estados Unidos, coordenada por Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado e que está em solo norte-americano.

Questionado sobre o áudio, na manhã desta quarta-feira, em visita ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, Flávio rebateu um jornalista e negou a existência da gravação. “De onde você tirou essa informação? É mentira”, disse ele.

Daniel Vorcaro é o principal investigado no esquema, até o momento. Entre as instituições envolvidas está o Banco de Brasília (BRB), que teve um prejuízo bilionário ao comprar títulos imprestáveis do Master. Houve também tentativa de compra do Master pelo BRB, operação que levou para a cadeia o ex-diretor do banco público Paulo Henrique Costa. De acordo com informações, o fato apontado no áudio ainda não está sendo investigado pela corporação, mas deve entrar no rol de diligências a serem incluídas no âmbito da Operação Compliance Zero.

Master

O Banco Master pagou diretamente a Entre Investimentos R$ 2,329 milhões de reais em 2025, segundo as declarações de Imposto de Renda do banco. Os dados constam no material entregue pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado no Senado Federal. De acordo com o Intercept, a Entre Investimentos teria sido utilizada para repasses de dinheiro entre Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”, que será lançado a menos de um mês do primeiro turno das eleições.

A Entre Investimentos tem como sócio-administrador Antonio Carlos Freixo Júnior. Ambos são os controladores da revista IstoÉ, que, segundo Thiago Miranda, foi adquirida indiretamente por Vorcaro ao lado de outros veículos de comunicação com o objetivo de formar um conglomerado midiático. Ainda de acordo o site, o pagamento dos R$ 134 milhões se daria através de 14 parcelas.

A reportagem do Intercept reproduz mensagens trocadas em janeiro de 2025 entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, tido pelos investigadores como seu operador financeiro, na qual o CEO do Master reclama de atrasos no pagamento das parcelas. Zettel, então, relata entraves para concluir os repasses, que seriam feitos em dólar por meio de remessas internacionais.

O banqueiro, então, orienta o cunhado a realizar o pagamento por meio da Entre Investimentos. Dias depois, Zettel pergunta se poderia “pedir pro Minas” – referência a Freixo Júnior, cujo contato foi salvo no celular de Vorcaro como “Mineiro”.

De acordo com o site, Fabiano Zettel pouco tempo depois um comprovante do repasse de US$ 2 milhões para um fundo ligado à produção do filme pela Entre Investimentos.

Filme

O filme “Dark Horse” tem estreia prevista para 11 de setembro e deverá servir de munição da tropa de choque bolsonarista na guerra de narrativas da disputa eleitoral, ao recontar a trajetória do ex-presidente, com destaque para o episódio do atentado à faca na campanha de 2018.

O longa-metragem é estrelado pelo ator americano Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro e se tornou célebre no papel de Jesus Cristo no filme “A paixão de Cristo”, de Mel Gibson. Caviezel passou cerca de três meses no Brasil gravando cenas da produção, que conta com outros nomes hollywoodianos, como Esai Morales, que interpretou o vilão de “Missão: Impossível – O acerto final”.

 

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