Sábado, 27 de novembro de 2021

Gilberto Gil é eleito para a Academia Brasileira de Letras e passa a ser o 2º negro imortal entre membros

Uma semana depois de tornar imortal a atriz Fernanda Montenegro, a Academia Brasileira de Letras (ABL) admitiu nesta quinta-feira (11) mais um ícone da cultura popular em seus quadros: o cantor Gilberto Gil.

Gil venceu a disputa com 21 votos contra 7 do poeta Salgado Maranhão. Ainda foram 4 votos em brancos e dois nulos. Eleito, o músico passa agora a ser o segundo negro no quadro da academia, que conta somente com o imortal Domício Proença Filho entre suas 40 cadeiras.

O músico baiano de 79 anos vai ocupar a cadeira número 20, que tem como patrono o médico e jornalista Joaquim Manuel de Macedo e ficou vaga com a morte do jornalista Murilo Melo Filho, em maio de 2020. Além de Gil, também concorriam o poeta Salgado Maranhão e o escritor Ricardo Daunt.

Por meio de suas redes sociais, Gil agradeceu a votação. “Muito feliz em ser eleito para a cadeira 20 da Academia Brasileira de Letras. Obrigado a todos pela torcida e obrigado aos agora colegas de Academia pela escolha.”

Segundo Antônio Cícero, presidente da ABL, “a cultura erudita e popular não são inimigas. O pássaro precisa de duas asas para voar. Sem uma ele não voa longe.”

“Estamos todos muito felizes. Gilberto Gil é essa traço de união. Uma agregação permanente capaz de falar com todo o Brasil e o mundo. Ele canta o Brasil e pensa o Brasil. Gil é o diverso, a tolerância”, declarou Cícero.

Namoro antigo

O namoro entre o artista e a academia é antigo. Em 1996 Gilberto Gil lançou o livro “Todas as letras”, sua primeira obra. A coletânea de composições o fez atender um dos pré-requisitos para que pudesse disputar um assento na ABL: ter ao menos um livro publicado.

Depois de diversas sondagens, Gilberto Gil foi convidado para concorrer à vaga de Alfredo Bosi, morto em abril deste ano, aos 84 anos. O músico era próximo ao historiador da literatura brasileira e crítico de cinema e, por isto, acabou optando por disputar outro posto, o do jornalista Murilo Melo Filho.

Expoente da Tropicália e um dos principais nomes da Música Popular Brasileira (MPB), Gilberto Gil acumula prêmios relevantes, lançou mais de 40 álbuns e está entre os artistas brasileiros mais reverenciados fora do País, com sucessos como “Expresso 2222”, “Andar com fé” e “Aquele Abraço”.

A última composição da lista é uma crítica ao autoritarismo da ditadura militar, que o manteve preso por dois meses na Escola Militar de Realengo, sob a acusação de desrespeito à bandeira do Brasil e ao hino nacional, embora nada tenha sido provado.

O verso “Alô, alô Realengo/ Aquele abraço”, é uma referência àquele período. A canção, contudo, se tornou mais um dos hinos do cancioneiro popular do Rio de Janeiro, então capital federal.

Abertura à sociedade

A eleição de Gilberto Gil é parte de um esforço da ABL para se abrir mais à sociedade e dialogar com a cultura popular. Esse movimento já resultou na incorporação de quadros como o cineasta Cacá Diegues e a própria grande dama do teatro brasileiro, Fernanda Montenegro.

Gilberto Gil é conhecido também pelo engajamento político. Em 1988, ano da constituinte, foi eleito vereador de Salvador pelo PMDB. No ano seguinte, migrou para o Partido Verde (PV). Em 2003, quando o então presidente Luís Inácio Lula da Silva (PI) tomou posse, o artista foi nomeado ministro da Cultura.

O músico foi também embaixador da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), e se comprometeu a lutar contra a fome no mundo.

Em 2003, se apresentou durante a Assembleia Geral da ONU, em performance que ficou conhecida como “Show da Paz”, em Nova York. Na ocasião, colocou o então secretário-geral da entidade, o ganês Kofi Annan, para tocar percussão em “Toda menina baiana”.

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