Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 20 de janeiro de 2026
Ao discursar na tarde dessa terça-feira (2o) durante evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Rio Grande (Litoral Sul do Estado), o governador gaúcho Eduardo Leite (PSD) foi alvo de vaias supostamente protagonizadas por apoiadores do líder petista, em três momentos. Ele não escondeu seu descontentamento com o gesto, e reagiu: “Este é o amor que venceu o medo? Vamos respeitar, por favor”.
Os apupos começaram quando o cerimonial anunciou o nome de Leite junto a outros presentes no palco. A atitude se repetiu durante discurso em que a prefeita local Darlene Pereira (PT) agradecia ao governador pela parceria. Por fim, o momento mais tenso se deu quando ele assumiu o microfone – o ruído quase o impediu de ser ouvido.
O chefe do Executivo do Rio Grande do Sul também mencionou a apertada margem de votos que garantiu a vitória a Lula no segundo turno (contra Jair Bolsonaro) da eleição de 2022:
“Se vocês desejam união e reconstrução, não hostilizem quem pensa diferente. A união que queremos para o País envolve repeito às funções, às pessoas, aos ambientes. Aqui é um ambiente institucional, não um comício. Sou um governador eleito e estou aqui cumprindo meu dever constitucional, em respeito ao cargo que exerço em nome do povo do Rio Grande do Sul”.
Leite prosseguiu: “Eu e o presidente Lula, a quem eu respeito, fomos eleitos pelo mesmo povo. Peço respeito, por favor. Não hostilizem quem pensa diferente, isso não leva a lugar nenhum. A efetiva união que a gente quer para o País envolve respeito, aqui é um ambiente institucional, aqui é o presidente, não é um comício eleitoral, do contrário essa postura de vocês só fará incendiar ainda mais ódio, rancor e mágoa”.
Ainda sob apupos de parte do público presente à cerimônia de assinatura de um contrato de construção de navios para a Petrobras, o governador reiterou que Lula é sempre bem-vindo no Estado, mesmo com divergências político-ideológicas entre ambos:
“Insisto, estou aqui com profundo respeito à figura de um presidente eleito com legitimidade pela maioria da população brasileira e que é recebido cordialmente no Rio Grande do Sul todas as vezes, assim como tenho sido tratado pelos ministros do governo federal sempre que discuto temas de relevância para o nosso Estado”.
Repetição
O incidente se assemelha a outro vivido pelo governador gaúcho durante a Expointer, em setembro do ano passado. Naquela ocasião, ele e um grupo de ministros foram alvo de protestos por parte de produtores rurais presentes no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (Região Metropolitana de Porto Alegre).
Leite foi quem reagiu de forma mais dura contra os autores das vaias que recebia dos insatisfeitos, em um contexto de clamor de medidas mais abrangentes de socorro para problemas como o endividamento:
“O movimento é legítimo, mas está sofre uma “captura política que não colabora com a luta justa. A dor de nossos produtores é real, mas não pode ficar ofuscada por interesses eleitorais”.
Em seguida, mudou o tom e partiu para o sarcasmo, dizendo que recebia vaias desde que os tempos de vereador em Pelotas, sua cidade de nascimento e projeção política, e que isso nunca o impediu de vencer eleições, avançando na carreira política.
(Marcello Campos)