Quinta-feira, 21 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 20 de maio de 2026
Uma reunião entre governo gaúcho e Defesa Civil Estadual atualizou, nessa quarta-feira (20), prognósticos climáticos para os próximos meses. Na pauta, o risco de impactos meteorológicos extremos em meio a um cenário confirmado de fenômeno climático “El Niño” intenso por volta do início da Primavera, em setembro. O
Dados mais recentes indicam um rápido aquecimento do Pacífico, elevando para 83% a probabilidade de a temperatura naquele oceano atingir 1,5°C a 2°C acima da média. Caso se confirme a projeção, estará caracterizado um evento de intensidade comparável ao “El Niño” de 2015/2016.
Coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, o coronel Luciano Boeira sublinhou: “Ainda não podemos dizer exatamente quais consequências teremos, mas certamente algum tipo de transtorno será enfrentado. Por isso, a antecipação é nossa principal ferramenta”.
O chefe do Executivo, Eduardo Leite, determinou a antecipação do fluxo de governança integrada com prefeituras de municípios sob maior risco: “A ocorrência de um El Niño intenso já é quase um consenso técnico. Não há dúvida de que enfrentaremos período de maior instabilidade climática, mas o Estado está bem mais preparado que antes”.
Ele atribuiu essa certeza a “investimentos históricos” no fortalecimento da Defesa Civil, com ampliação de equipes, tecnologias e capacidade de monitoramento. Para além das ações de resposta em eventual momento da crise, Leite ressalta um processo já em curso para preparação e proteção das comunidades:
“Chamamos os prefeitos para que estejam atentos e prontos a colocar em ação as medidas de contingência sempre que necessário, com o objetivo primordial de preservar vidas”.
Detalhamento
Meteorologista da Defesa Civil, Cátia Valente apresentou projeções de um aquecimento acelerado do Pacífico: a temperatura saltou de -0,4°C no final do ano passado para 0,5°C já neste mês. Trata-se de um patamar que caracteriza o início da formação do “El Niño”.
Além disso, o aquecimento anômalo do Oceano Atlântico aumenta a probabilidade de formação de frentes frias e ciclones extratropicais. Tal fator pode potencializar os impactos a partir do próximo semestre.
A especialista comparou o atual panorama ao observado em 2023, embora ainda passível de alteração após o período de transição do outono. Ela também fez uma ressalva: por si só, o “El Niño” não permite determinar com tanta antecedência eventos climáticos extremos. “As consequências dependem da combinação a outros fatores, como bloqueios atmosféricos e frentes estacionárias”, acrescentou.
Gestores municipais
Diante do prognóstico, o governador determinou à Defesa Civil o início, nas próximas semanas, de um fluxo de Governança Integrada de Proteção. O objetivo é intensificar o diálogo com prefeitos que de aproximadamente 60 nunicípios que apresentam maior risco e vulnerabilidade, levando-se em conta o histórico de eventos extremos e análises técnicas de meteorologia, hidrologia e geologia.
O marco inicial será uma reunião nas próximas semanas, para compartilhar atualizações e diagnósticos personalizados sobre as áreas em questão. “A finalidade é que os gestores saiam do encontro em estado de atenção, alinhando desde já protocolos de preparação e acionamento dos planos de contingência diante da evolução dos prognósticos meteorológicos ao longo dos próximos meses”, enfatiza o portal estado.rs.gov.br.
Depois dessaa primeira reunião geral deve ser realizados seminários regionais, com participação do próprio governador em cada um deles. Leite defende:
“Vamos manter toda a rede mobilizada para um monitoramento cada vez mais intenso e integrado da evolução das condições climáticas, para que todas as medidas de precaução sejam adotadas. O compromisso do Estado é permanecer atento, vigilante e preparado”.
(Marcello Campos)