Sábado, 25 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de julho de 2026
O governo Lula atuou junto a líderes da federação União Progressista para que ela optasse pela neutralidade pelo menos no primeiro turno da eleição presidencial, não fazendo aliança com o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL).
Interlocutores do presidente Lula afirmam que o pedido de independência foi feito em duas frentes: pelo ministro da articulação política, José Guimarães, e pelo presidente do PT, Edinho Silva.
Guimarães, que foi líder do governo na Câmara e é conhecido por ter bom trânsito com o Centrão, atuou junto aos líderes do PP, Doutor Luizinho (PP-RJ), e do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes (União-MA). Já Edinho manteve conversas com os presidentes dos partidos.
O próprio presidente Lula também conversou com líderes dos dois partidos, que até pouco tempo tinham ministros no governo petista, para evitar que eles apoiassem Flávio Bolsonaro, o que lhe garantiria mais verba e tempo de TV e rádio.
Na pauta, a importância da neutralidade para reforçar palanques regionais da federação que apoiam o presidente Lula, principalmente no Nordeste. Além disso, os emissários trataram também da boa relação que os partidos têm com o governo, com direito a espaço em ministérios.
A priorização dos palanques regionais foi um dos argumentos usados pelo PP e pelo União para definir a neutralidade.
Ao se manter independente, os partidos conseguem concentrar o Fundo Eleitoral para as disputas estaduais, principalmente para a Câmara dos Deputados — onde o PP tradicionalmente tem bastante influência na escolha dos presidentes.
A manobra ajudou a campanha de Lula. A federação União-PP tem o maior tempo de rádio e TV entre os partidos políticos. Ao não apoiar nenhum candidato, a divisão do tempo é refeita sem levar em conta o tamanho da federação. E, proporcionalmente, o PT ficará com mais tempo de programa eleitoral. Flávio Bolsonaro, por outro lado, sem a federação perde tempo de TV.
Lula usa convenção de Haddad para mandar recado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o palco do evento que oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo neste sábado, 25, para rejeitar interferências externas nas eleições brasileiras.
“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições”, afirmou Lula, em Campinas (SP). “Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são os 157 milhões de eleitores.”
Sem mencionar o nome de Donald Trump, o petista chegou a mandar recados ao presidente americano. Dizendo não ser afeito a bravatas, afirmou que o “aviso está dado” e que o Brasil é soberano e deseja manter relações com todos os países. Com informações dos portais G1 e Terra.