Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Guerra na Ucrânia completa dez meses com sinais de que a Rússia prepara grande ofensiva

A guerra de Vladimir Putin contra a Ucrânia completa dez meses sem perspectiva de chegar ao fim. Ao contrário. Os sinais são de que a Rússia prepara uma grande ofensiva.

As Forças Armadas russas estão treinando 200 mil novos recrutas, reagrupando os veteranos e fabricando peças de artilharia e munição, até mesmo em fábricas civis convertidas para uso militar.

Isso explicaria por que o general Sergey Surovikin, nomeado em outubro comandante das forças russas na Ucrânia, conseguiu convencer Putin a retirar as tropas de Kherson, no sul do país ocupado, semanas depois de ele ter anunciado ilegalmente a anexação da província, ao lado de outras três. Putin havia ordenando terminantemente que essa retirada não deveria acontecer.

Especula-se que Surovikin tenha prometido a Putin um recuo tático para preparar uma grande ofensiva. Ela poderia partir do leste e do sul da Ucrânia e talvez também do norte, da Belarus, onde há tropas russas estacionadas.

Putin visitou o ditador da Belarus, Alexander Lukashenko, no dia 19. O comandante das Forças Armadas da Ucrânia, general Valery Zaluzhny, tem certeza de que os russos tentarão de novo tomar Kiev, a capital de seu país.

Os ucranianos têm um incentivo para propagar essa narrativa: há uma certa fadiga de guerra na Europa, expressa em tentativas do presidente francês, Emmanuel Macron, e do chanceler alemão, Olaf Scholz, de lançar negociações com Putin.

Diferentemente do que tem sido sugerido, a conquista da maioria pelos republicanos na Câmara dos Deputados dos EUA não deve diminuir o apoio americano à Ucrânia. Fontes republicanas me dizem que a frase do líder republicano na Casa, Kevin McCarthy, sobre não dar um “cheque em branco” para a Ucrânia, tem muito mais a ver com cobrar transparência do governo democrata do que reduzir a ajuda, que totaliza até agora US$ 66 bilhões..

Por via das dúvidas, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi a Washington no dia 21, em sua primeira viagem internacional desde a invasão de fevereiro. Biden lhe disse publicamente que os Estados Unidos “ajudarão a Ucrânia pelo tempo que for necessário”.

Ele anunciou um novo pacote de ajuda, de US$ 1,85 bilhão (cerca de R$ 9,5 bilhões), a maior parte destinada ao fornecimento de uma bateria de mísseis antimísseis Patriot, o sistema de defesa antiaérea mais avançado dos Estados Unidos. Além dos mísseis de fabricação russa, Irã e Coreia do Norte está fornecendo essas armas também para a Rússia.

Zelensky discursou em seguida no Congresso, tornando-se apenas o segundo governante de um país em guerra a fazer isso, além do então primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, em 1944.

O discurso lido em inglês de 20 minutos foi interrompido diversas vezes por todos os congressistas, que o aplaudiam de pé. Cerca de metade da bancada republicana de 200 deputados não compareceu. Parte deles critica a ajuda à Ucrânia, afirmando que os recursos deveriam ser destinados para a contenção dos imigrantes ilegais.

Mas o apoio é mais que suficiente. Tanto assim o Congresso aprovou, no dia 23, verba de US$ 45 bilhões (R$ 232,4 bilhões) para a Ucrânia em 2023. Até aqui, a ajuda da União Europeia soma 52 bilhões de euros (US$ 55 bilhões). A Holanda aprovou no dia 23 também ajuda de US$ 2,65 bilhões em 2023

Não há informações oficiais sobre o número de mortos na guerra. O comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, general Mark Milley, estimou no início de novembro que cerca de 100 mil militares de cada lado teriam sido mortos ou feridos, além de 40 mil civis ucranianos.

Uma contagem recente divulgada pela Ucrânia falava em 88 mil soldados russos mortos e 280 aviões, 261 helicópteros e 2.911 tanques russos destruídos. O Ministério da Defesa ucraniano não divulga as próprias baixas.

Os militares russos têm sofrido sucessivas derrotas no terreno. Eles perderam cerca de 50% dos territórios ocupados desde a invasão em 24 de fevereiro. Treinados em parte por militares da Otan, os ucranianos têm usado táticas modernas de contra-ataque, desenvolvidas pela aliança militar ocidental para conter eventuais invasões justamente da Rússia.

A agilidade dessas táticas, combinada com a autonomia dos militares ucranianos, tem sido muito eficaz na neutralização das táticas russas, baseadas na movimentação em comboio de tanques lentos e pesados e no uso intenso da artilharia, que remontam ao Exército soviético.

Ao longo do ano, americanos e europeus forneceram armamentos cada vez mais potentes e sofisticados, que têm permitido aos ucranianos atingir alvos como quartéis-generais, depósitos de armas e munições, trechos de ferrovias e pontes russas usadas para a movimentação de tropas e suprimentos bem atrás das linhas de combate.

As sanções econômicas adotadas pela Europa, Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia e outros parceiros do Ocidente impuseram à Rússia pesados danos.

Levantamento publicado no dia 19 de outubro pelo Instituto de Liderança da Escola de Administração da Universidade de Yale revela que mais de mil empresas saíram da Rússia, causando um rombo de 40% na produção de riquezas do país.

A partir dos dados do estudo, combinados com outras fontes e as minhas próprias apurações, desenho o seguinte quadro desse impacto. A posição estratégica da Rússia como exportadora de commodities deteriorou-se de forma irreversível, com a perda de seus antigos principais mercados.

China e Índia têm recebido o petróleo que a Rússia deixou de vender para a Europa, mas a preços mais baixos. Além disso, o gás natural depende das linhas de gasodutos e não é desviado para novos mercados facilmente.

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