Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Império de 200 bilhões de reais: sucessão de fundador da Nike tem tragédia, herdeiro relutante e filha misteriosa

Na família Knight, há uma longa tradição de decepcionar os pais, como eles mesmos brincam. O advogado William Knight ficou desapontado quando seu filho lhe disse que venderia calçados esportivos em vez de exercer a advocacia. Ele não imaginava que o jovem Phil entraria para a História nas indústrias do esporte e da moda por construir o império da Nike e acumular uma fortuna estimada pela Forbes, atualmente, em US$ 41,3 bilhões (R$ 206 bilhões, na cotação atual).

Muitos anos depois, a história se repetiu. Um jovem Travis, recém-formado no Ensino Médio, sentou-se com seu pai e lhe disse que não queria trabalhar na Nike. “Vocês nem imaginam a cara que ele fez para mim”, disse Travis, aos risos, em entrevista ao jornal Los Angeles Times, em 2016.

Em 2020, chegou o ano em que Phil Knight, que ainda controla 35% da Nike, se aposentou como CEO. Sem qualquer expectativa de que seu único herdeiro assumisse as rédeas do império, ele deixou o cargo para Mark Parker, ingresso na companhia em 1979 como designer de calçados.

Apesar de seus esforços para ficar fora dos negócios de seu pai, Travis atualmente faz parte do conselho de administração da Nike. Mas, após o choque inicial, o magnata encorajou o filho a seguir seu próprio caminho e descobrir “o que o estava destinado” a fazer.

A aprovação de Phil Knight à escolha da carreira do filho é possivelmente explicada por um trágico acidente que marcou sua vida: a morte do primogênito.

Matthew Knight morreu após sofrer uma parada cardíaca aos 34 anos enquanto mergulhava com seus amigos no Lago Ilopanga, em El Salvador. Com temperamento “forte”, ele era motivo de preocupação para Phil. “Eu me culpei. Se ele ficasse mais em casa, disse a mim mesmo, seria menos rebelde”, refletiu o empresário em sua autobiografia, “Shoe Dog”.

A quantidade de tempo que Phil dedicava ao seu trabalho era proporcional ao ressentimento de seu filho mais velho. Um dia ele até jurou ao pai que nunca usaria um par de tênis Nike enquanto fosse vivo. Em seu livro, o magnata lamentou o fato de não ter uma conexão com os filhos.

“Na véspera de Ano Novo de 1977, andei pela minha casa apagando as luzes e senti uma espécie de rachadura profunda na rocha da minha existência”, confessou Knight. “Minha vida girava em torno de esportes, meu negócio girava em torno de esportes, meu relacionamento com meu pai girava em torno de esportes e nenhum dos meus dois filhos queria se envolver com esportes… Tudo parecia tão injusto”.

O império de Phil Knight teria ainda uma terceira herdeira, Cristina, uma vietnamita que o empresário e sua mulher teriam adotado em 1988, quando ela era adolescente. Mas a sua existência é um mistério. Não há fotos da mulher, suas redes sociais não são conhecidas, e ela sequer é citada na autobiografia do fundador da Nike.

De rapper a cineasta

Travis, que passou a infância atormentado pelo sucesso do pai, começou a explorar outras disciplinas. Aventurou-se no mundo do rap com o pseudônimo Chilly Tee, mas não teve muita sorte. Em 1993, lançou o álbum Get off mine, parcialmente gravado em sua mansão, e foi completamente ignorado pela crítica.

O fracasso na indústria musical não o desanimou. Abriu portas para um novo interesse, pelo mundo da animação. Pouco depois de se formar, ele começou a trabalhar como estagiário no Will Vinton Studios em Portland, criando gráficos e dando vida a personagens em comerciais e séries de televisão. O apoio do pai foi tal que chegou a comprar os estúdios para salvá-los da falência após o colapso do negócio. Da noite para o dia, na sequência da bolha tecnológica e dos atentados do 11 de setembro, Travis passou de um funcionário comum a um integrante do conselho de administração da empresa.

Os estúdios mudaram de nome e assim nasceu a Laika Entertainment, sob uma aura de suspeita pela forma como foi adquirida.

“Ao longo de 30 anos, Vinton construiu sua empresa. Mas um dia ele se viu em uma sala de reuniões tentando entender como eles assumiram o controle de seu reino. Horas antes, ele havia entregado todas as suas marcas ao fundador da Nike, e agora o filho de um milionário, um estagiário, um rapper sem experiência administrativa, tomará seu lugar”, publicou a Priceonomics em 2003.

Apesar das críticas, Travis continuou trabalhando fora dos holofotes e logo começou a mostrar seu talento como diretor. Em 2009, lançou o filme de animação Coraline e o mundo, que recebeu aclamação universal da crítica, com indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro, e arrecadou mais de US$ 124 milhões.

Travis consolidou sua reputação como cineasta com obras como Os Boxtrolls e Kubo e as Cordas Mágicas — este último traz vários paralelos com sua família.

Apesar do sucesso, nunca tentou competir com o pai, “porque é demasiado extraordinário”, como admitiu em entrevista à Forbes.

Nos últimos anos, Knight focou em garantir que sua família e ações de filantropia recebam toda a sua riqueza, e não o Estado. Em entrevista à CBS, ele disse que, quando a vida de seus filhos e netos – dois do lado de Travis e dois do lado de Matthew –, chegar ao fim, ele terá doado a maior parte de sua fortuna para instituições de caridade.

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