Terça-feira, 16 de agosto de 2022

Infarto recorrente exige investigação e novos hábitos

Mario Frias, ex-secretário da cultura do governo Bolsonaro, foi hospitalizado após sofrer um ataque cardíaco no início de julho, em Brasília. Foi o terceiro infarto de Frias, que tem apenas 50 anos, desde que assumiu a Cultura do governo Bolsonaro, em junho de 2020. O cardiologista Marcelo Franken, diretor da Socesp – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo e gerente de cardiologia do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, explica que múltiplas recorrências não são comuns, mas “quanto mais recorrências, maior a chance de acontecer novamente”.

“A taxa de recorrência de um infarto, ou seja, o risco de ter um novo evento cardiovascular em um período de 12 meses após o primeiro, varia de 3 a 7%. A probabilidade disso acontecer é maior nos primeiros 30 dias e diminui ao longo do tempo”, diz Franken.

Alguns fatores podem influenciar esse risco. São eles: a adesão ao tratamento, a resposta do organismo do próprio paciente (alguns podem reagir mal ao stent e precisam de uma nova intervenção, por exemplo) e características da doença cardiovascular que o paciente enfrenta. A boa notícia, é que é possível evitar que isso ocorra por meio da reabilitação cardíaca e da prevenção secundária.

A prevenção secundária consiste em evitar que um novo infarto ocorra ou que a doença aterosclerótica nas coronárias progrida. A reabilitação cardíaca faz parte disso e consiste em um conjunto de medidas que visam fazer com que o coração volte a funcionar como era antes do infarto. Isso inclui a prática de atividade física supervisionada por cardiologista; adequação do estilo de vida, com alterações na alimentação, no sono e no tabagismo, por exemplo; e uso adequado das medicações.

“A adesão ao tratamento é um fator determinante para a recorrência. Por exemplo, se o paciente fez uma angioplastia para colocação de um stent, ele precisa tomar remédios que evitam a trombose do stent. Se ele não toma a medicação corretamente, há maior risco de formação de coágulo. O mesmo vale para todos os outros fatores de risco, como controle do diabetes, da hipertensão, do colesterol, da alimentação, da prática de atividade física, do sono, do tabagismo e do estresse”, ressalta o médico.

Pessoas que já tiveram uma recorrência, precisam intensificar ainda mais o tratamento e o controle dos fatores de risco. Para Franken, em pacientes com múltiplas recorrências, um bom caminho pode ser pesquisar alguns fatores genéticos que possam aumentar o risco. Por exemplo, investigar se há alguma doença genética que favorece a formação de coágulos ou que altera o metabolismo dos lipídios, levando ao aumento do colesterol ou ainda que faz com que a pessoa tenha uma resposta inadequada aos medicamentos.

Controlar o estresse e cuidar da saúde mental também são fatores fundamentais na prevenção secundária da doença cardiovascular.

“É difícil falar para uma pessoa ‘não se estressar’, mas ela pode adotar medidas que ajudem a controlar o o estresse no dia a dia, como prática de atividade física, meditação, ter uma boa qualidade do sono, ter momentos de lazer e socializar. Tratar quadros de depressão e ansiedade também é muito importante, diz o diretor da Socesp.

Também é recomendado que esse paciente tenha um acompanhamento médico mais rigoroso e frequente.

Insuficiência cardíaca

O infarto é uma doença multifatorial. Esses fatores podem ser modificáveis ou não. No primeiro critério estão incluídas doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e colesterol alto – são consideradas modificáveis porque podem ser controladas – e hábitos, como tabagismo, qualidade do sono, alimentação, estresse e prática de atividade física. Já os fatores de risco não modificáveis são idade, sexo, histórico familiar e genética.

O problema ocorre quando há morte das células do coração devido à diminuição do fluxo sanguíneo causado pela obstrução na artéria. As células mortas não se recuperam mesmo após a desobstrução.

“Cada vez que a pessoa tem um infarto, uma parte do coração deixa de funcionar, morre. A partir de determinado ponto, há diminuição da força do músculo cardíaco, que é a insuficiência cardíaca”, explica Franken.

Por isso, infartos recorrentes podem levar à insuficiência cardíaca. Se houver demora para desobstruir a artéria, também há aumento do risco da doença.

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