Sábado, 13 de abril de 2024

Interventor no Distrito Federal diz que o comandante da Polícia Militar dava ordens e a tropa não obedecia

O interventor federal na segurança pública do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, afirmou que houve “falha operacional” por parte do comando das forças de Segurança Pública do Distrito Federal no dia 8 de janeiro, quando um grupo de extremistas invadiu e depredou as sedes dos Três Poderes.

Ele também declarou que o ataque só ocorreu devido a uma “ação profissional e programada” dos manifestantes que planejaram o atentado numa “mini cidade golpista” – palavra a qual se referiu para chamar o acampamento montado em frente ao QG do Exército, em Brasília.

Segundo ele, o local funcionou como um “centro de construção de planos contra a democracia”.

“A primeira questão é a centralidade do acampamento que foi montado em frente ao QG do Exército. A centralidade dele em tudo o que aconteceu e culminou no dia (8 de janeiro). Isso fica claro e evidente. Todos os atos de vandalismo passaram a sua organização, planejamento e ponto de apoio no acampamento, que virou um centro de construção de planos contra a democracia brasileira”, afirmou Cappelli.

Relatório

Cappelli fez as denúncias com base em um relatório sobre o período da intervenção, que foi entregue ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Como conclusão, ele disse estranhar as coincidências em série.

“Quem quiser que acredite em coincidências, eu só acredito em teorias da conspiração. Acho que são muitas coincidências juntas, e se percebe uma escalada”, disse ele.

Para embasar a sua argumentação, Cappelli declarou que foram identificadas 73 ocorrências policiais, de furto a atos obscenos, no entorno do acampamento. Essas informações constam do relatório produzido pela equipe do interventor.

Além de mostrar a cronologia de como o acampamento foi montado desde o fim do segundo turno das eleições e desmontado no dia 9 de janeiro, o documento também indica omissões por parte de integrantes da Secretaria de Segurança Pública do DF e da Polícia Militar do DF, que não conseguiram conter a invasão dos manifestantes aos prédios do Planalto, Congresso e STF.

O interventor afirmou que os manifestantes levaram 1h40min da saída do acampamento até passarem pela primeira barreira, o que, segundo ele, foi tempo suficiente para que mais tropas da PM fossem acionadas para impedir o avanço na Esplanada, o que não ocorreu.

Omissão

Segundo Cappelli, “não faltaram informações” de inteligência que indicavam o que aconteceria na Praça dos Três Poderes – algumas delas remetidas ao então secretário da SSP, Anderson Torres, que foi exonerado do cargo e preso por ordem do Supremo sob a suspeita de negligência.

O interventor acusou Torres de ter provocado uma “instabilidade” na Secretaria de Segurança Pública do DF que culminou com a inação das forças de segurança no dia 8:

“A instabilidade que ele gerou com as exonerações e trocas [no comando]. Logo depois, ele viaja [aos EUA], recebe um relatório de inteligência e esse relatório não tem nenhum desdobramento. Não é só uma questão burocrática”. disse o interventor.

Ele complementou que uma das suas primeiras ações assim que assumiu a SSP foi exonerar todos os indicados por Torres.

Outro que está preso é o então comandante da PM, coronel Fábio Augusto. O interventor, no entanto, isentou o então comandante da acusação de conivência com os atos golpistas, dizendo que ele atuou para defender os prédios públicos e chegou a ser ferido na cabeça por um cone arremessado por um manifestante.

Segundo o interventor, o então comandante “perdeu a capacidade de comando” sobre a tropa e não teve os apelos por mais efetivo atendido.

“Há uma falha operacional, porque o relatório de inteligência, que existe, não gerou o desdobramento adequado”, disse o interventor, acrescentando que, conforme as imagens de segurança, havia apenas 150 homens na contenção inicial dos manifestantes.

‘Ação profissional’

O interventor ainda mencionou que os manifestantes usavam óculos de proteção, máscaras e rádios comunicadores, o que, segundo ele, caracterizaria uma “ação profissional e programada”. Ele cita como exemplo a forma como foi derrubado o primeiro gradil de contenção:

Além disso, segundo Cappelli, a linha de contenção era formada por policiais “alunos”, da escola de formação de Praças, que não possuíam a vestimenta adequada para conter manifestações, como o exoesqueleto.

Outra fato que chamou a atenção do interventor foi que nove oficiais do comando da Polícia Militar do Distrito Federal estavam de férias no dia 8, entre eles o chefe do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

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