Sábado, 16 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de maio de 2026
Os irmãos Joesley e Wesley Batista não param de comprar ativos no setor elétrico. Donos da gigante de proteína animal JBS e de companhias do setor industrial, sob o guarda-chuva da holding familiar J&F Investimentos, em pouco mais de uma década os dois empresários já investiram bilhões de reais nesse setor.
Nesta semana, o grupo confirmou mais um movimento no setor, com a aquisição de cinco termoelétricas (UTEs) da Bolognesi Energia, empresa nascida em Porto Alegre e hoje baseada em São Paulo.
Procurada, a J&F apenas confirmou o negócio, mas não revelou detalhes nem o valor da aquisição. Em nota, a Bolognesi Energia confirmou a venda de termoelétricas e disse que o negócio está sujeito às aprovações regulatórias de praxe.
As usinas adquiridas estão localizadas nas regiões Nordeste (4) e Centro-Oeste, com capacidade de geração de 766 megawatts (MW), das quais quatro são movidas a óleo combustível e uma a biomassa.
As UTEs, geralmente usadas pelo sistema nacional de energia para complementar suprimento elétrico, ficam nos Estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Goiás. Todas têm contratos em vigor para fornecimento de energia até 2042 (três) e 2044 (duas).
Em termos de comparação, com a nova aquisição a capacidade de geração de energia da da Âmbar se aproxima do porte da hidrelétrica de Tucuruí (da Axia, com 8,5 GW) e da Auren Energia (Votorantim e fundo canadense CPP), que pode gerar 8,8 GW por maio de fontes hídricas, eólicas e solares.
Salto nunclear
O veículo de atuação da J&F no setor é a Âmbar Energia, fundada em 2015, com foco em geração térmica, comercialização e transmissão de energia, mas que avançou para outros segmentos. Em 2024 e 2025, a companhia fez vários movimentos de aquisição e ampliou as operações, adquirindo termoelétricas e a distribuidora Amazonas Energia, iniciando operações naquele Estado.
Um salto de peso, porém, foi a entrada do grupo, em outubro, no capital da estatal Eletronuclear, dona das usinas de Angra 1 e 2 e do projeto de Angra 3. O negócio com a antiga Eletrobras (atual Axia Energia) envolveu cerca de R$ 535 milhões mais garantias de empréstimos e obrigações de integralização de debêntures, no valor de R$ 2,4 bilhões.
Em março, a Âmbar havia concluído a aquisição da Usina Termelétrica Norte Fluminense e do projeto Norte Fluminense 2 (para 1.800 MW), do grupo francês EdF, em Macaé (RJ). Segundo a companhia, a Norte Fluminense “é uma das usinas mais eficientes do Brasil e opera em ciclo combinado a gás natural da Bacia de Campos”. A termoelétrica tem três turbinas a gás e uma a vapor, somando 827 MW. (Com informações de O Estado de S. Paulo)