Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de maio de 2026

Programa do governo do Estado reforça estratégia contra estiagens e impulsiona investimentos em irrigação para garantir produtividade e estabilidade no agro gaúcho.
Em um cenário em que a água passou a ser um dos ativos mais estratégicos do agronegócio, a terceira fase do Programa Irriga+RS avança em ritmo acelerado e confirma uma mudança de mentalidade no campo gaúcho: irrigar deixou de ser uma opção para se tornar prioridade. Em pouco mais de dois meses desde a abertura do edital, em 11 de março, a iniciativa da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) já contabiliza 217 manifestações de interesse, consolidando-se como uma das principais políticas públicas voltadas à segurança hídrica no Estado.
O volume de adesões revela uma resposta rápida do produtor rural diante de uma realidade cada vez mais desafiadora. Das 217 manifestações registradas até 25 de maio, 135 já foram convertidas em projetos completos e seguem em análise técnica e administrativa pela secretaria. O edital permanece aberto até 30 de outubro, prazo para que novos empreendimentos possam ser inscritos na plataforma oficial do programa.
Mais do que ampliar números, a nova etapa eleva o alcance da política pública. Nesta fase, o governo estadual oferece subvenção equivalente a 20% do valor do projeto, limitada a R$ 150 mil por produtor. O incentivo permite investimentos mais robustos em infraestrutura hídrica, incluindo construção de reservatórios, açudes, sistemas de captação e tecnologias de irrigação de maior eficiência.
O avanço ocorre em um momento decisivo para o agro gaúcho. Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul acumulou perdas bilionárias provocadas por estiagens severas, que afetaram lavouras, comprometeram a renda no campo e expuseram a vulnerabilidade estrutural da produção dependente exclusivamente do regime de chuvas. Nesse novo contexto, a irrigação passa a ser entendida como ferramenta de proteção econômica, previsibilidade produtiva e sustentabilidade.
Para o subsecretário de Irrigação da Seapi, Márcio Amaral, o objetivo é estrutural. “A meta é mitigar os efeitos da estiagem no Rio Grande do Sul, ampliar a reserva de água, aumentar a área irrigada e elevar a produtividade das culturas, aproximando o Estado da autossuficiência de grãos, especialmente do milho”, afirma.
Os resultados das fases anteriores mostram a dimensão dessa transformação. Somadas, as duas primeiras etapas do Irriga+RS contabilizam 1.297 projetos aprovados, com potencial de subvenção de aproximadamente R$ 61 milhões. O efeito multiplicador impressiona: os incentivos públicos já estimularam cerca de R$ 450,7 milhões em investimentos privados, com expectativa de ampliar em aproximadamente 25 mil hectares a área irrigada no território gaúcho.
Além do impacto direto dentro das propriedades, a ampliação da área irrigada produz reflexos em toda a cadeia do agronegócio. Com maior estabilidade produtiva, o produtor reduz exposição ao risco climático, melhora o acesso ao crédito, fortalece sua capacidade de planejamento e amplia competitividade nos mercados interno e externo. Para indústrias de insumos, cooperativas e tradings, o avanço da irrigação também representa previsibilidade de oferta e maior segurança na formação de contratos. Em outras palavras, investir em água hoje significa proteger não apenas uma safra, mas toda a engrenagem econômica que sustenta o agro gaúcho.
No campo, a leitura é cada vez mais objetiva: sem água, não há previsibilidade; sem previsibilidade, não há competitividade. Ao apostar na expansão da irrigação, o Rio Grande do Sul não apenas reage às mudanças climáticas — antecipa o futuro. E o Irriga+RS emerge como símbolo dessa nova agricultura: mais preparada, mais eficiente e menos vulnerável aos extremos do clima.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)