Domingo, 16 de agosto de 2026

Jatinho de Vorcaro continuou voando com base no Paraguai após o ex-banqueiro ser preso; avião não pousa no Brasil desde agosto de 2025 para evitar apreensão

Um avião da frota pessoal de Daniel Vorcaro continua voando entre a América do Sul, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio mesmo após a prisão mais recente do ex-banqueiro, em 4 de março deste ano. Em todos os casos, a origem ou o destino foi Assunção, no Paraguai. Segundo dados de localização, o jatinho não passou pelo Brasil. A defesa de Vorcaro não explica o uso da aeronave, e não há registros públicos dos passageiros.

Desde a segunda prisão, foram 16 voos internacionais. Enquanto Vorcaro negociava uma delação premiada em Brasília, o avião passou por Nova York, Mônaco e Dubai, entre outros destinos.

O jato, de prefixo PR-PSE, foi comprado em junho de 2023 por cerca de R$ 120 milhões e está registrado em nome da Viking, holding patrimonial do ex-banqueiro. A matrícula tem duas ordens judiciais de bloqueio, impedindo venda ou transferência, e não há registro de sublocação no Registro Aeronáutico Brasileiro.

O Gulfstream GV-SP, fabricado em 2010, era o mais caro da frota da Viking, composta por três aeronaves. Vorcaro o utilizava com frequência, inclusive para emprestá-lo a terceiros.

O avião está fora do Brasil desde 20 de agosto de 2025, quando saiu de Belo Horizonte, cidade natal de Vorcaro, para a Flórida. A prisão do ex-banqueiro e a liquidação do Master ocorreram três meses depois, em 18 de novembro. Especialistas em direito aeronáutico ouvidos pela reportagem avaliam que o atual usuário pode estar evitando o Brasil por receio de apreensão pela PF, que investiga possíveis crimes de Vorcaro.

A defesa foi procurada desde 6 de agosto, mas não respondeu. Vorcaro está preso desde 4 de março. Após passar pela superintendência da PF, onde tentava uma delação, foi transferido para o Núcleo de Custódia da Polícia Militar, a “Papudinha”, em Brasília.

Em 14 de março, dez dias após a prisão, o jato saiu da Flórida para Assunção, que se tornou sua nova base. A aeronave estava no aeroporto de Fort Lauderdale desde 15 de janeiro. Em 16 de março, voltou a Miami e, em 20 de março, retornou a Assunção. Em 24 de março, seguiu novamente para Miami, onde ficou até 19 de abril.

Naquele dia, voou para Paris, com paradas em Barbados e Hannover, na Alemanha. Em 22 de abril, retornou a Assunção. Em 28 de abril, partiu para Nova York e, em 30 de abril, seguiu para Dubai, com parada em Malta.

A primeira prisão de Vorcaro, em 18 de novembro de 2025, ocorreu quando ele embarcava para Dubai. O plano de voo previa Malta, onde o avião seria abastecido antes de seguir para a península Arábica. Desta vez, o jato chegou a Dubai e voltou a Assunção em 6 de maio, com parada em Luanda, Angola.

Em 9 de maio, partiu para Nova York. No dia 14, seguiu para Anguilla, no Caribe, onde ficou três dias antes de retornar a Assunção. Em 28 de maio, foi a Mônaco e voltou em 3 de junho. A última viagem ocorreu em julho, quando partiu para Filadélfia em 17 de julho e retornou a Assunção no dia 20, com parada em Washington.

O Gulfstream era citado com frequência por Vorcaro. Em conversas com a ex-noiva Martha Graeff, a aeronave foi mencionada cinco vezes. Martha usou o avião em 1º de junho de 2024 para encontrar Vorcaro em Arusha, na Tanzânia. Em 20 de agosto daquele ano, o casal viajou da Flórida à Croácia e, em 29 de dezembro, Martha usou novamente o jatinho para encontrá-lo em São Paulo.

Em 2025, houve duas menções: um voo de Martha, em 12 de maio, da Flórida para São Paulo, e um voo de Vorcaro de Gênova para Orlando, em 29 de agosto, seguido de viagem a São Paulo no dia seguinte.

Em 28 de março de 2025, o BRB anunciou a compra de 58% das ações do Master. Os dois últimos voos de Vorcaro no avião ocorreram durante as negociações da operação, vetada pelo Banco Central em 3 de setembro.

Segundo a revista Piauí, Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, também aparece na lista de passageiros de uma viagem a Nova York. Os nomes teriam sido enviados pelo próprio Vorcaro ao administrador da frota. Faria afirmou que pagou pela viagem.

Registros do aeroporto executivo de Brasília mostram ainda que Vorcaro usou o jatinho em 2 de fevereiro de 2025 para viajar a Trancoso, na Bahia.

Em setembro de 2025, Vorcaro vendeu 55% da Viking ao Stern Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, como revelou a Folha. Segundo o agente responsável pela liquidação do banco, porém, a operação manteve a empresa sob domínio do grupo.

O Stern pertence aos fundos Nauatle, sediado no Brasil, e Faex Fund, domiciliado nas Bahamas. O Nauatle também pertence ao Faex Fund, que, segundo o liquidante do Master, pertence ao próprio banco. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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