Quinta-feira, 07 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de julho de 2025
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça um casal de influenciadores digitais de Canoas (Região Metropolitana de Porto Alegre) por lavagem de dinheiro, exploração de jogos de azar e associação criminosa. No início de junho, o promotor de Justiça Tiago Moreira, responsável pela denúncia, havia solicitado o cancelamento de um acordo de não persecução penal (ANPP) que estava em tratativas com os investigados, após prisão em 5 de junho, devido à nova investigação.
Outras quatro pessoas também foram denunciadas pelo MPRS por associação criminosa, sendo que três delas respondem ainda por lavagem de dinheiro e duas por jogos de azar. A denúncia foi oferecida à Justiça no final de junho. De acordo com o promotor, o casal e os outros integrantes do esquema utilizavam rifas virtuais como fachada para movimentações financeiras suspeitas e atividades ilícitas.
O casal de influenciadores, que continua preso preventivamente, já havia sido alvo de medidas cautelares, incluindo o bloqueio de redes sociais, uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento de passaportes.
Durante as investigações, conduzidas pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, foram identificadas novas evidências que motivaram a suspensão de um acordo de não persecução penal que estava em tratativas com os investigados. A reabertura do inquérito ocorreu após a divulgação de vídeos nas redes sociais, que indicavam a continuidade das práticas ilícitas, como foguetórios e eventos festivos, mesmo após a imposição das medidas judiciais.
Com base nos novos elementos, na época, o Ministério Públoco deu parecer favorável à prisão preventiva do casal e, posteriormente, formalizou a denúncia à Justiça. O promotor Tiago Moreira destacou que a atuação do MPRS tem por objetivo garantir a responsabilização penal dos envolvidos e a interrupção das atividades criminosas que vinham sendo praticadas de forma reiterada e dissimulada.
Fraudes na saúde
Por meio da Promotoria de Justiça Especializada Criminal, o MPRS ofereceu denúncia em Erechim (Norte gaúcho) contra nove servidores municipais, um empresário e uma ex-gerente do escritório dele. A ofensiva se deu no âmbito da operação “Descuidado”, deflagrada em 18 de junho para investigar sobre fraudes em repasses financeiros na área da saúde.
A investigação revelou a prática de crimes de acesso indevido a sistemas de informação e inserção de dados falsos em sistemas oficiais do Estado. De acordo com o apurado, agentes públicos cederam credenciais pessoais para que terceiros acessassem sistemas restritos da Secretaria Estadual da Saúde (SES).
Com isso, foram inseridos documentos falsificados com o objetivo de enquadrar os municípios em critérios técnicos que permitissem o recebimento de repasses mensais de recursos públicos. A atuação do MPRS resultou ainda em duas decisões judiciais cautelares.
– Afastamento de servidores públicos de suas funções em secretarias municipais de Saúde e de qualquer cargo que envolva a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) ou da Rede Bem Cuidar.
– Proibição de o empresário investigado (que atua no segmento de assessoria em políticas públicas) contratar ou participar de licitações com o poder público estadual e com os municípios gaúchos, especificamente na área da saúde.
Já no que se refere a prejuízos decorrentes das práticas criminosas. O MPRS continua analisando provas colhidas na operação.
(Marcello Campos)