Terça-feira, 18 de janeiro de 2022

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Juros em alta e perdas na Bolsa abalam a confiança de novos investidores

Na mesma semana em que o Banco Central elevou a Selic, a taxa básica de juros da economia, para 6,25% ao ano, o maior patamar em dois anos, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), cravou sua pior pontuação de 2021. Na última segunda-feira (20), fechou aos 108 mil pontos — bem distante do patamar de 120 mil pontos perdido em agosto —, com as notícias de que o conglomerado chinês Evergrande, que atua principalmente no ramo imobiliário, poderia dar um calote com repercussões globais.

Ver as ações despencando faz parte da experiência dos veteranos do mercado, mas é especialmente difícil para quem acabou de chegar e passa nos últimos dias por sua primeira prova de fogo. Entre 2018 e 2019, o número de pessoas físicas na Bolsa brasileira dobrou, alcançando 1,4 milhão, mas esse crescimento se intensificou ainda mais em 2020 e em 2021, mesmo após o baque inicial da pandemia.

Com a Selic no menor patamar histórico — começou este ano em inéditos 2% — muita gente migrou das aplicações de renda fixa, como poupança e títulos públicos, para as ações em busca de retornos mais altos para seus investimentos, ainda que isso embutisse mais risco.

Tempestade

O primeiro semestre deste ano terminou com 3,2 milhões de CPFs cadastrados na Bolsa. Agora, esses novatos enfrentam a primeira tempestade perfeita: abalos internos e externos provocam perdas na Bolsa, enquanto os juros sobem e restituem a atratividade das aplicações em renda fixa.

“Nunca tinha me exposto a esse tipo de risco, então não tinha como não me assustar”, conta o enfermeiro e professor Maurício Peixoto, de 36 anos, que migrou da poupança para a Bolsa em março.

Apesar da apreensão, ele mantém os papéis, de olho no longo prazo. Mas analistas esperam que muitos retornem à renda fixa com juros mais altos e incertezas no ar.

Nervosismo nas mesas

Na semana passada, nas mesas de operações de corretoras, investidores aflitos buscaram ajuda dos profissionais para entender por que a Bolsa caiu tanto, pulverizando momentaneamente parte do patrimônio em ações. A Rico, do grupo XP, fez uma força-tarefa para enviar aos clientes um relatório com orientações, conta a analista Paula Zogbi: “A vantagem dessa crise em relação às anteriores é que muita gente entrou na Bolsa no começo da pandemia já pensando em comprar nas baixas. O que não era esperado é a inflação tão alta por tanto tempo, fazendo a Selic subir.”

Luiz Fernando Araújo, presidente da gestora de investimentos Finacap, diz que é preciso mostrar ao investidor que não deve mudar sua posição de forma reativa: “A tendência natural do ser humano é agir por reflexo e sair do risco nesses momentos de notícias mais preocupantes. Mas nosso trabalho é justamente acalmar o cliente e lembrar que é preciso seguir o planejamento financeiro de longo prazo.”

O professor da educação infantil Guilherme de Oliveira, de 30 anos, aprendeu a administrar a ansiedade. Ele começou a comprar ações em fevereiro de 2019 e, durante a pandemia, teve as emoções testadas várias vezes pelo sobe e desce da Bolsa. Hoje, depois de ter recuperado perdas, diz ter desenvolvido uma estratégia para não se deixar abalar: “Para quem é mais ansioso, o ideal é esquecer um pouco da ação, olhar no máximo uma vez na semana para não sofrer.”

O Tesouro Nacional já sentiu aumento da procura por títulos. O número de investidores do Tesouro Direito cresceu 54% nos últimos 12 meses. “Muita gente foi para a renda variável não por opção, mas por força de um cenário de juros baixos”, diz Adriano Bernardi, sócio da 3R Investimentos, que atua com gestão de patrimônio e fundos de ações.

Quem entrou na B3 no início de 2020 passou pela turbulência do início da pandemia, que derrubou o Ibovespa em 30%, em março, aos 73.019 pontos, a maior queda do indicador em 22 anos. Mas a queda dos juros e a recuperação dos papéis na esteira das commodities mantiveram a atração de novos investidores para Bolsa.

Se em 2019 o mercado de ações brasileiro comemorou a marca inédita de 1 milhão de investidores individuais, a Bolsa ganhou 500 mil novos em cada um dos três últimos trimestres.

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