Mensagens encontradas pela Polícia Federal durante as investigações sobre o Banco Master levaram os investigadores à conclusão de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, teria exercido o mandato parlamentar de forma alinhada aos interesses da instituição financeira. Em um dos diálogos analisados, o parlamentar pergunta a interlocutores ligados ao banco: “Como estão as coisas do banco?”, frase que passou a ser apontada pela PF como um dos indícios da proximidade entre o senador e os investigados.
O conteúdo faz parte da nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, tráfico de influência e favorecimento político envolvendo executivos do Banco Master e agentes públicos. A investigação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Wagner na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
Segundo a PF, as conversas mostram que o senador acompanhava temas de interesse da instituição financeira e mantinha contato frequente com pessoas ligadas ao banco. Os investigadores afirmam que os diálogos reforçam a suspeita de que o parlamentar atuava politicamente em pautas consideradas estratégicas para o grupo financeiro.
O relatório da corporação aponta que Wagner teria defendido ou acompanhado ao menos três assuntos relevantes para o Banco Master dentro do Congresso Nacional. Entre eles estão discussões sobre mudanças no crédito consignado, propostas envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas relacionadas à tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
Para a Polícia Federal, a atuação do senador nessas pautas sugere uma convergência entre sua atividade parlamentar e os interesses comerciais do banco. Os investigadores também apuram se houve recebimento de vantagens indevidas em troca do suposto apoio político.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam cerca de US$ 49 mil em um imóvel ligado ao parlamentar. A PF investiga ainda a movimentação de recursos que poderiam estar associados ao esquema sob investigação.
Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. Em nota, o senador afirmou que nunca recebeu dinheiro ou benefícios do Banco Master e que sua atuação parlamentar sempre ocorreu dentro dos limites legais e institucionais. Ele também declarou confiar que a apuração demonstrará sua inocência.
O caso ganhou repercussão por envolver um dos principais articuladores políticos do governo federal no Senado. As investigações sobre o Banco Master continuam em andamento e buscam esclarecer a relação entre executivos da instituição financeira, empresários e agentes públicos que teriam atuado em favor dos interesses do grupo.