Segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Entenda por que a Colômbia está entre as áreas de maior risco de terremotos do mundo

O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste da Colômbia nesta segunda-feira expôs, mais uma vez, a vulnerabilidade sísmica do país. O tremor ocorreu às 7h34min no horário local, com epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, e foi sentido em cidades como Cali e Bogotá.

O terremoto provocou ao menos 80 mortes e deixou um rastro de destruição, com edifícios colapsados em diferentes áreas do país. A explicação para a alta frequência de terremotos está, principalmente, na posição geográfica da Colômbia: o país está em uma região onde três placas tectônicas se encontram — uma característica compartilhada com poucos lugares do mundo e que faz do território colombiano uma área de intensa atividade sísmica.

Segundo especialistas ouvidos pelo jornal espanhol El País, a combinação entre a movimentação das placas, a presença de falhas geológicas e a localização do país no Cinturão de Fogo do Pacífico faz com que terremotos sejam uma ameaça permanente.

Placas tectônicas

A parte continental da Colômbia está sobre a placa Sul-Americana. Já as ilhas de Gorgona e Malpelo estão sobre a placa de Nazca, enquanto San Andrés e Providencia ficam sobre a placa do Caribe. O encontro entre essas placas produz movimentos constantes no subsolo. Em determinadas áreas, uma placa pode mergulhar por baixo de outra — processo conhecido como subducção — acumulando e liberando grandes quantidades de energia.

John Makario Londoño, doutor em geofísica pela Universidade de Kyoto, no Japão, e diretor técnico de Geoameaças do Serviço Geológico Colombiano, explicou ao El País que a Colômbia está em uma área “sismicamente muito ativa”. Segundo ele, são registrados pelo menos 2.500 pequenos terremotos por mês no país.

A maior parte desses tremores é de baixa magnitude e não provoca danos ou sequer é percebida pela população. O problema está na possibilidade de ocorrência de eventos mais fortes, capazes de liberar uma grande quantidade de energia de uma só vez.

A movimentação das placas também ajudou a moldar a geografia colombiana. De acordo com Londoño, a compressão provocada pelo choque entre as placas contribuiu para a formação das três grandes cordilheiras do país. O processo também provocou fraturas na crosta terrestre, dando origem a falhas geológicas que podem acumular energia e, posteriormente, liberá-la na forma de terremotos.

Cinturão de Fogo do Pacífico

A situação é agravada pela localização da Colômbia no chamado Cinturão de Fogo do Pacífico, uma extensa área que acompanha as bordas do Oceano Pacífico e concentra grande parte da atividade sísmica e vulcânica do planeta.

O país também possui uma região conhecida como “ninho sísmico”, em Santander, onde terremotos ocorrem diariamente. A combinação desses fatores faz com que o território colombiano esteja permanentemente exposto à possibilidade de um terremoto de grande magnitude.

Uma reportagem publicada pelo El País destaca que não é possível prever exatamente quando um terremoto vai acontecer. É possível, porém, identificar as regiões onde há maior probabilidade de ocorrência de eventos fortes e estimar sua intensidade. O Serviço Geológico Colombiano mantém mapas históricos com registros dos principais terremotos ocorridos no país ao longo dos últimos quatro séculos.

Quais regiões são mais vulneráveis?

O risco não é igual em todo o território colombiano. Segundo a sismóloga e engenheira civil Gina Villalobos, cidades da região do Pacífico, como Cali, Quibdó e Popayán, estão entre as áreas de maior risco sísmico. A proximidade com o Cinturão de Fogo do Pacífico é um dos fatores que contribuem para a vulnerabilidade.

Também estão entre as regiões consideradas de alto risco cidades do chamado Eixo Cafeeiro, como Armênia, Pereira e Manizales. A área já foi atingida por um terremoto de magnitude 6,2 em 25 de janeiro de 1999, que provocou grande destruição e deixou quase mil mortos.

Bucaramanga, no departamento de Santander; Ibagué, em Tolima; e Neiva, em Huila, também são apontadas entre as cidades com alto risco sísmico.

Bogotá e Medellín, por outro lado, são classificadas como áreas de risco médio. Isso não significa, porém, que estejam livres de terremotos ou de danos. A capital colombiana, por exemplo, possui pelo menos três grandes falhas geológicas em seu entorno.

O último grande terremoto registrado em Bogotá ocorreu em 31 de agosto de 1917. O tremor danificou construções importantes da cidade, incluindo partes da Catedral Primaz, da igreja de Monserrate e da igreja de San Francisco.

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