Domingo, 05 de dezembro de 2021

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Líder do PDT justifica voto pró-Bolsonaro e reage às ameaças de Ciro Gomes sobre a retirada de candidatura

O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou nesta sexta-feira (5) que Ciro Gomes continuará como pré-candidato do partido à Presidência da República. O ex-ministro havia anunciado, na quinta (4) de manhã, que deixou “em suspenso” a sua pré-candidatura após membros da sigla na Câmara votarem a favor da PEC dos Precatórios. Segundo Lupi, a escolha de Ciro como postulante ao Palácio do Planalto é “irreversível”.

“A candidatura é irreversível. Isso já foi definido pelo partido — disse Lupi, completando: “Ele fez um gesto ontem contrário à votação do partido em relação à PEC. Mas estamos conversando com cada um para que a bancada vote contra a proposta [no segundo turno da votação].”

Com uma bancada de 24 deputados, 15 pedetistas votaram a favor da PEC, defendida pelo governo federal. O apoio foi fundamental para que a proposta fosse aprovada, com uma margem estreita de apenas quatro votos a mais que o mínimo necessário, de 308. Ao anunciar que estava suspendendo sua pré-candidatura, Ciro disse que não poderia “compactuar com a farsa e os erros bolsonaristas”.

Lupi disse que conversa com os deputados federais do partido e que acredita que a legenda vai reverter os votos a favor da PEC.

“Estamos conversando com cada parlamentar, e tenho certeza de que, até terça-feira, vamos convencer se não todos, a esmagadora maioria.”

O presidente do PDT explicou ainda que sabia que havia uma negociação do líder do partido, Wolney Queiroz (PE), com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), para que a sigla apoiasse a PEC. Ele, no entanto, afirmou que não tinha conhecimento de que a bancada havia decidido votar a favor da proposta.

Na noite de ontem, Queiroz reagiu às ameaças de Ciro retirar sua candidatura e afirmou que deputados do partido haviam almoçado com Lupi e falado sobre as tratativas em torno da PEC.

“Eu tinha ciência de que isso estava acontecendo, mas não sabia qual era a decisão. Uma coisa é ter conhecimento, outra coisa é aprovar”, disse o cacique da legenda.

O pedetista nega que os deputados tenham resolvido votar com o governo em razão da promessa de emendas. Às vésperas da votação da PEC dos Precatórios na Câmara esta semana, o governo Bolsonaro liberou para parlamentares, em apenas dois dias, cerca de R$ 900 milhões em emendas de relator, verba sobre a qual não há transparência nas indicações.

“No nosso caso específico, o deputado André Figueiredo foi designado a participar dessas conversas e tentou salvar a parte do fundo de participação da educação, já que nessa PEC eles parcelavam em dez vezes o pagamento para a educação dos estados. Diminuímos isso para 3 anos. E isso é legítimo, porque não tem a ver com a PEC em si. O que tá em jogo é que o profeta da ignorância que está na Presidência não tem qualquer compromisso com a educação.”

Lupi classificou a PEC como algo “muito grave” para o Brasil.

“Não só pelo evidente calote nos Precatórios, mas também porque dá um cheque em branco a um governo desqualificado. O presidente da Câmara exerceu a função de um líder de governo.”

Na quinta-feira, Lupi apresentou uma ação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cancelar a votação da PEC na Câmara sob justificativa de que Lira feriu o regimento interno da Casa ao autorizar que 23 parlamentares, que estavam em viagem, votassem remotamente. Ele classificou o ato como “um cheque em branco que a Câmara deu a Lira e ao profeta da Ignorância”, fazendo referência ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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