Terça-feira, 27 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de outubro de 2026
Nessa segunda-feira (26), líderes de diferentes correntes políticas da América Latina parabenizaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais brasileiras. As exceções eram os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador. Mais tarde, Donald Trump também comentou o resultado, levantando suspeitas sobre o processo eleitoral, mas afirmando gostar do petista.
Entre os primeiros a felicitar Lula estavam governantes alinhados à direita. O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou que os dois países são vizinhos e irmãos e defendeu o fortalecimento das relações bilaterais.
O paraguaio Santiago Peña também parabenizou o petista, destacando a agenda comum de integração e desenvolvimento. Já o presidente chileno, José Antonio Kast, disse ter telefonado a Lula e ressaltou a importância da cooperação econômica e do combate ao crime organizado.
No Peru, Keiko Fujimori defendeu o fortalecimento da aliança estratégica entre os países, incluindo a cooperação para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. O presidente equatoriano, Daniel Noboa, por sua vez, destacou os desafios compartilhados pela região.
Apesar das diferenças ideológicas, esses líderes mantêm relações diplomáticas com o governo brasileiro.
Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rompeu o silêncio nessa segunda ao comentar a vitória de Lula. Embora tenha afirmado que gosta do brasileiro e que se dá bem com ele, o republicano questionou a legitimidade do processo eleitoral, sem apresentar provas de fraude.
“Eu gosto do Lula. Me dou muito bem com ele”, declarou Trump. Em seguida, afirmou que a eleição pareceu fraudada e criticou a prorrogação do horário de votação, classificando-a como estranha.
O presidente americano também disse que o episódio transmitiu uma imagem negativa do Brasil ao mundo. Questionado sobre a possibilidade de tomar alguma medida, respondeu: “Eu não estou governando o Brasil. Estou governando os Estados Unidos”.
A declaração ocorreu após Flávio Bolsonaro contestar o resultado e anunciar que pediria a anulação da eleição. O governo americano também adiou a divulgação de uma nota que parabenizaria os brasileiros pelo pleito.
Milei e Bukele
Na Argentina, Javier Milei ainda não havia reconhecido publicamente a vitória do petista. O presidente ultraliberal compartilhou publicações que questionavam o processo eleitoral e comparavam Lula ao venezuelano Nicolás Maduro.
Milei tem um histórico de ataques ao presidente brasileiro e mantém proximidade política com a família Bolsonaro. As relações entre os dois países também enfrentam tensões diplomáticas.
Em El Salvador, Nayib Bukele era o outro líder latino-americano que ainda não havia se manifestado sobre o resultado.
Aliados
Entre os governantes de esquerda, Lula recebeu felicitações dos presidentes Yamandú Orsi, do Uruguai, Claudia Sheinbaum, do México, e Bernardo Arévalo, da Guatemala.
Orsi afirmou ter conversado com o presidente brasileiro e destacou o caráter democrático do processo eleitoral. Sheinbaum celebrou a vitória do povo brasileiro, enquanto Arévalo defendeu a continuidade do trabalho conjunto entre os países.
Em Cuba, Miguel Díaz-Canel foi um dos primeiros líderes a parabenizar Lula, classificando o resultado como uma vitória histórica.
Na Venezuela, a líder interina Delcy Rodríguez afirmou que o Brasil deu uma lição contra o fanatismo e o extremismo. O governo venezuelano já havia divulgado uma mensagem reconhecendo a participação dos eleitores brasileiros.
Fora da América Latina, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, também parabenizou Lula e defendeu o fortalecimento das relações comerciais e ambientais entre os dois países. (Com informações da Folha de S.Paulo)