Quinta-feira, 23 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de julho de 2026
O governo Lula não vai adotar agora medidas comerciais de reciprocidade contra os EUA, apesar do anúncio do tarifaço de 25% sobre os produtos brasileiros. O processo deve andar apenas após as eleições porque não pode servir, na visão do governo, para dar palanque ao senador Flávio Bolsonaro (PL), provável adversário de Lula na disputa presidencial.
O Palácio do Planalto está convencido de que o presidente dos EUA, Donald Trump, não quer negociar mais nada com o Brasil até as eleições de outubro. Na avaliação de auxiliares de Lula ouvidos pelo Estadão, a Casa Branca espera que o presidente reaja de forma intempestiva e atabalhoada para acusar a gestão do PT de radicalismo. E é justamente esse discurso que o Planalto não dará a Trump.
Após reuniões com o setor privado, ontem, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o Brasil não partirá para a retaliação. “Foi aprovada a Lei da Reciprocidade por unanimidade (no Congresso). É um processo que tem etapas, passando por audiências públicas. A ideia não é retaliação porque, se for olho por olho, os dois podem ficar cegos”, argumentou Alckmin.
Em conversas reservadas, ministros dizem não ter dúvidas de que a disputa eleitoral é o pano de fundo do tarifaço. Diante desse cenário, os EUA criaram uma situação em que qualquer concessão para o governo brasileiro, hoje, será interpretada como uma vitória para Lula.
Para o presidente, a mensagem postada nas redes sociais pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, logo após o anúncio do tarifaço, no último dia 16, foi uma tentativa de tirar a crise do colo de Flávio. Na ocasião, Rubio disse que Lula “priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo em prol do bemestar do povo brasileiro”.
Na segunda-feira (20), ao participar da convenção nacional do PDT, Lula rebateu: “Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário, que venha, que monte um comitê, porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia deste País”.
Pesquisas e monitoramentos de redes sociais feitos pelo Planalto revelam que a associação de Flávio com as medidas de Trump tem sido um tiro no pé para a campanha bolsonarista. Levantamento da Genial/Quaest divulgado na quinta-feira mostrou que, após o tarifaço, o candidato do PL passou a perder votos entre os eleitores independentes de direita.
Com essas informações em mãos, a equipe de Lula investe cada vez mais no discurso da defesa da soberania, um dos principais eixos do programa de governo do presidente ao quarto mandato, e calcula cada passo da reação ao tarifaço. (Com informações de O Estado de S. Paulo)