Sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (21). Segundo o governo brasileiro, a ligação durou uma hora e 20 minutos e tratou de temas do relacionamento bilateral e da agenda internacional, incluindo as novas tarifas impostas ao Brasil, o combate ao crime organizado e os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
De acordo com o Palácio do Planalto, a conversa ocorreu em “tom amistoso e cordial”. Até o momento, a Casa Branca não havia divulgado informações sobre o telefonema.
Durante a conversa, Lula defendeu a retomada das negociações comerciais entre os dois países e afirmou que a negociação é “a melhor opção” para solucionar as divergências provocadas pelas tarifas norte-americanas. O presidente brasileiro também classificou como “infundadas” as alegações utilizadas para justificar as novas medidas tarifárias.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil foram relacionadas, segundo o governo brasileiro, a temas como desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol, além da importação de produtos produzidos com trabalho forçado.
Lula argumentou que as tarifas prejudicam tanto a economia brasileira quanto a norte-americana e ressaltou a importância de preservar os Estados Unidos como um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
Segundo o Palácio do Planalto, Trump concordou sobre a necessidade de manter vínculos comerciais fortes entre os dois países e propôs que representantes dos governos brasileiro e norte-americano voltem a se reunir “o mais brevemente possível”.
Combate ao crime organizado
Outro tema discutido foi a cooperação na área de segurança pública. Lula reiterou o interesse brasileiro em ampliar a parceria com os Estados Unidos no combate ao crime organizado.
O presidente afirmou que grupos criminosos exercem violência contra populações vulneráveis, mas não devem ser confundidos com organizações terroristas. Segundo Lula, o Brasil dispõe de instrumentos próprios para enfrentar essas organizações sem a necessidade de uma classificação específica.
O presidente também apresentou a estratégia brasileira de combate ao crime por meio do bloqueio de recursos financeiros. De acordo com o governo, cerca de R$ 17 bilhões já foram apreendidos em ações contra organizações criminosas.
Lula ainda citou os planos de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima, além da aprovação da Lei Antifacção, que amplia mecanismos para apreensão de bens e passaportes. Também mencionou uma proposta de emenda à Constituição que prevê ampliar a atuação do governo federal na segurança pública em conjunto com os Estados.
Outro ponto apresentado foi o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne agentes de países da região amazônica.
Trump, segundo o governo brasileiro, manifestou disposição para reforçar a cooperação bilateral na área e afirmou que pretende mobilizar funcionários de alto escalão para dar continuidade às discussões.
Ucrânia e Oriente Médio
Lula e Trump também trocaram informações sobre conflitos internacionais, principalmente as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
Os dois presidentes concordaram sobre a necessidade de buscar uma solução negociada para a guerra entre Rússia e Ucrânia. O conflito se aproxima de cinco anos desde o início da invasão russa em larga escala.
Durante a conversa, Trump apresentou considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito envolvendo o Irã. Lula, por sua vez, criticou a falta de atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante das crises internacionais.
O presidente brasileiro voltou a defender a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para discutir caminhos diplomáticos para os conflitos atuais. Segundo o governo, a proposta é semelhante à apresentada anteriormente por Lula aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.
Ao tratar da necessidade de soluções diplomáticas, Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas os que conseguem colocar fim aos conflitos.