Segunda-feira, 03 de agosto de 2026

Lula pede voto para o senador Jaques Wagner, em meio a desgaste por causa do Banco Master e o chama de líder do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividiu palanque e pediu votos no sábado (1º) para ele e candidatos de seu partido como o senador Jaques Wagner, que disputa a reeleição, durante a convenção que oficializou a chapa petista na Bahia para as eleições, em meio ao desgaste do aliado com as investigações relacionadas ao Banco Master.

Lula chegou a cometer um ato falho ao se referir a Wagner como líder de seu governo no Senado, mais de um mês após o petista deixar essa função por ter se tornado alvo da Polícia Federal. Ele nega ter cometido irregularidades.

Ao pedir votos para Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, e Wagner, ambos candidatos do PT ao Senado, Lula afirmou: “Eu preciso de dois votos, nesse galego [referência a Wagner] e nesse companheiro aqui [Rui]. O Senado está muito ruim, em um baixo nível muito grande”.

Em seguida, completou, em referência aos dois aliados que já governaram a Bahia: “É preciso que a gente tenha gente com maturidade política, competência política, porque esse cara [Rui] foi um governador extraordinário, esse [Wagner] foi um governador extraordinário e meu ministro do Trabalho, Previdência [sic, ele não comandou esta pasta], e é líder do meu governo no Senado”.

Pela legislação eleitoral, antes de 16 de agosto, é permitido solicitar apoio político e divulgar ações, mas sem pedido explícito de voto, o que pode configurar propaganda antecipada. Lula já foi condenado a pagar uma multa de R$ 15 mil por pedir votos para Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas ao Senado em São Paulo, durante evento em maio.

Lula fez um discurso de pouco mais de 30 minutos e não mencionou os novos desdobramentos da investigação da PF, que identificou ao menos 74 chamadas telefônicas entre Wagner e o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, ao longo de um ano e meio.

Ele também não comentou a decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), de autorizar a abertura de um segundo inquérito a pedido da PF para investigar o seu filho e empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência.

Wagner retribuiu o apoio, dizendo que a eleição de Lula nestas eleições é “fundamental” para um planeta em guerra, adotando um discurso em defesa da democracia e da soberania nacional.

O petista iniciou seu discurso agradecendo aos prefeitos e deputados presentes e destacou a importância da eleição de candidaturas progressistas para frear o avanço do conservadorismo no Congresso. Ao público ele pediu: “Me elejam a quarta vez para a gente fazer o país definitivamente dar certo”.

Ao ignorar os temas que devem dar munição aos adversários e afetar sua avaliação, Lula dedicou sua fala para fazer a defesa de seus governos, exaltando principalmente os programas sociais. “Se pegar todos os presidentes e colocar naquelas panelas de acarajé e esquentar e colocar todos os programas sociais que eles fizeram, todos, não dá 20% dos programas sociais que fizemos nesse país.”

Os demais candidatos presentes também evitaram citar a investigação em andamento, limitando-se a celebrar os feitos do PT no estado. Em seu discurso, Jerônimo agradeceu diretamente a Jaques Wagner pelo apoio na campanha eleitoral.

Documentos da PF indicam que as conversas entre o ex-líder do governo e Augusto Ferreira Lima ocorreram entre 17 de novembro de 2023 e 25 de maio de 2025. Ao todo, os diálogos somam cinco horas e 30 minutos de duração.

Além das ligações, o material analisado pelos investigadores aponta que o senador recebeu presentes, usou jatinhos e até articulou um encontro “discreto” em seu gabinete entre executivos do Master e o ministro Jorge Messias, da AGU (Advocacia-Geral da União).

Em nota, Messias disse que “não participou de reunião com Augusto Lima no gabinete do senador Jaques Wagner”.

Em entrevista à Rádio Baiana FM, Wagner afirmou ter certeza de que provará sua inocência.

Esse foi o segundo ato público de Lula ao lado de Wagner desde que o aliado e amigo de mais de quatro décadas foi alvo da operação Compliance Zero por suspeita de ter recebido pagamentos do banco de Daniel Vorcaro, por meio de empresa de sua nora, e um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. Há um mês, o presidente cumpriu na Bahia uma maratona de inaugurações. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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