Quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Mesmo destituído do cargo, Josué Gomes segue como presidente da Fiesp

Sem citar o impasse político dos últimos dias, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nessa quinta-feira (19), uma nota na qual confirma Josué Gomes como presidente da entidade. Na última segunda (16), uma assembleia conduzida por sindicatos de oposição ao executivo votou pela destituição do empresário do comando da Fiesp.

“A Fiesp informa que Josué Gomes da Silva é o presidente da entidade e está no exercício pleno de suas funções, conforme determinam os estatutos vigentes”, informou a entidade.

De acordo com integrantes da Fiesp, não existe, neste momento, um documento que aponte a destituição de Josué.

Josué não participou da assembleia que votou pela sua destituição. A defesa do empresário sempre tratou a decisão como um “golpe”. O executivo – herdeiro da Coteminas – participou de uma assembleia anterior, convocada por ele para o mesmo dia, para explicar pontos questionados da sua gestão, como a acusação de que tem pouco interesse por assuntos setoriais.

A oposição a Josué sempre defendeu a legalidade do processo e espera a publicação da ata da assembleia – que tem de ser elaborada pela secretaria da Fiesp – para convocar uma reunião da diretoria com o objetivo de nomear um novo presidente para a entidade.

Nas últimas horas, o Josué recebeu uma série de apoios. Na noite de quarta (18), os integrantes do Comitê de Defesa da Democracia divulgaram uma nota em solidariedade ao executivo. Assinaram o manifesto Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central; Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos; e Maria Alice Setubal, herdeira do grupo Itaú. Nessa quinta, o manifesto ganhou apoio do presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Isaac Sidney.

Disputa política

Nos últimos meses, a Fiesp tem sido palco de uma disputa entre empresários ligados a Jair Bolsonaro e os que são considerados mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O embate político dentro da instituição começou a ficar evidente com o manifesto a favor da democracia, divulgado em agosto do ano passado nos principais jornais do País. Uma parte da entidade avaliou que a carta tinha como objetivo atingir Bolsonaro, então candidato à reeleição.

Embora a Fiesp tenha sede em São Paulo, seus posicionamentos têm repercussão nacional. Em 2015, por exemplo, ainda presidida por Paulo Skaf, foi uma das principais vozes a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O manifesto também marcou o rompimento definitivo entre Josué e Paulo Skaf, que ficou 18 anos no comando da entidade e passou a estimular um movimento contra o seu sucessor. Skaf sempre foi aliado de Bolsonaro.

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