Domingo, 13 de setembro de 2026

Milhares de arquivos e até relatórios da Polícia Federal agora sem sigilo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira derrubar o sigilo de casos com grande repercussão política derivados do escândalo do Master. Após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o magistrado decidiu tornar disponíveis investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, no qual presidenciável Flávio Bolsonaro é investigado, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além de outras apurações.

Na nova decisão, Mendonça determinou o levantamento do sigilo de mais 38 processos que tramitavam na Corte. Somadas às determinações tomadas na quinta-feira, 53 ações tiveram a restrição de acesso retirada em dois dias, em meio aos desdobramentos da crise envolvendo o caso Master.

O inquérito que mira Flávio diz respeito ao financiamento da cinebiografia do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, o senador foi o “interlocutor direto” com o banqueiro Daniel Vorcaro para pleitear recursos, que seria “geridos” depois pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Os dois negam as irregularidades.

Já o processo sobre Ciro Nogueira trata da suposta atuação dele no Congresso em prol de Vorcaro e do Banco Master. A PF aponta que houve o pagamento de vantagens financeiras ao senador – o que ele nega veementemente.

Em relação a Cláudio Castro, o inquérito trata de supostas irregularidades no aporte de R$ 3,6 bilhões que o Rioprevidência, fundo dos servidores do Rio, repassou ao Banco Master.

Os investigadores dizem que houve uma manobra na direção do fundo para viabilizar as operações consideradas de alto risco. Castro também nega as irregularidades.

O inquérito de Wagner, por sua vez, trata da sua relação próxima com o ex-sócio do Master Augusto Lima. Os investigadores apontam que houve suposto pagamento de vantagens financeiras, com repasses a uma empresa de seus familiares e aquisição de um apartamento de luxo em Salvador. O petista nega qualquer ato ilícito e benefício dado ao Master.

A decisão de Mendonça acolhe a um pedido do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho.

Ele apontou que parte dos procedimentos relacionados à investigação mais ampla da Compliance Zero (o caso Master) não estava incluída na lista de processos cujo sigilo foi derrubado na quinta-feira.

Saiba o que já alguns casos que já estevam público em decisão anterior de Mendonça

Compliance Zero (Inquérito 5026):

Este é o principal inquérito do escândalo do Banco Master. Ele foi criado a partir do envio, por determinação do ministro Dias Toffoli, dos autos da investigação que prendeu Daniel Vorcaro pela primeira vez em novembro do ano passado. Conforme as investigações avançaram, novos procedimentos foram criados a pedido da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República.

É o caso, por exemplo, da investigação contra Flávio Bolsonaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que ainda foi mantido sob sigilo. Os documentos da PF que pediram a abertura dessa investigação, entretanto, foram anexadas a este inquérito pela defesa de Flávio. O relatório da PF cita, por exemplo, que Flávio foi ‘interlocutor direto’ de Vorcaro no financiamento do filme e questiona a participação de Eduardo Bolsonaro na gestão de recursos da produção.

Atuação da Turma (Petições 16019, 15978, 15977, 15976 e 15563)

Cinco dos 14 procedimentos cujo sigilo foi levantado são de investigações sobre diferentes integrantes do grupo chamado “A Turma”, criado por Daniel Vorcaro para perseguir e intimidade adversários, além de obter acesso indevido a investigações sigilosas.

Entre os documentos presentes nesses procedimentos estão os relatórios da Polícia Federal com diálogos entre Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, e de integrantes do grupo para atender os pedidos do ex-controlador do Banco Master. Um dos casos identificados pela PF na interceptação das mensagens está a descoberta de que Vorcaro usava login de servidores do MPF para acessar processos sob sigilo.

PF: Flávio não foi ‘apenas terceiro’, mas ‘interlocutor direto’ de Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse
Em outro trecho desse processo, diálogos obtidos pela Polícia Federal detalham vários episódios em que Vorcaro determina que o grupo “A Turma” tome ações contra adversários. Nos diálogos entre o banqueiro e o Sicário, eles discutem medidas “mais drásticas”, falam em dar um “sacode” em um dos desafetos de Vorcaro e questionam se um dos alvos deveria receber “apenas um susto ou outra ação”.

BRB e Banco Central (Petições 15504, 15478, 15562)

Outra investigação que teve seu sigilo levantado focam na atuação de Daniel Vorcaro e outros associados para conseguir concretizar a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Além da preparação para repassar ativos podres ao banco estadual, os documentos que agora se tornaram públicos revelam como o ex-controlador do Master conseguiu construir uma rede de relação com servidores do Banco Central, órgão responsável pela regulação e fiscalização de instituições financeiras como o Master e também por aprovar ou não a compra pelo BRB.

O inquérito mostrou que os servidores que mantinham relações com Vorcaro tinham um grupo de WhatsApp para falar de assuntos do banco e que Vorcaro chegou a custear viagens internacionais. Com informações do portal O Globo.

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