Sábado, 27 de novembro de 2021

Ministro da Economia, Paulo Guedes reforça que quer vencer os Correios, a Eletrobras e o Porto de Santos à iniciativa privada

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que precatórios que pessoas tenham a receber do governo poderão ser pagos com ações de empresas privatizadas. “Queremos vender os Correios. Queremos vender a Eletrobras, o Porto de Santos“, disse em inglês em palestra no evento Bradesco BBI CEO Forum. “Exatamente como fizemos com a Embraer.”

Guedes voltou a afirmar que a dívida dos precatórios “surgiu do nada e explodiu”. “Estamos tentando respeitar o teto, estamos tentando controlar essas despesas incontroláveis em um teto”, disse.

Segundo ele, as requisições de pequeno valor somam R$ 20 bilhões, o que equivale a metade do teto estabelecido para os precatórios. No caso daqueles que têm grandes precatórios a receber, “é razoável que esperem um ano”, disse.

O ministro ainda afirmou que o congelamento dos salários de funcionários públicos foi importante durante a pandemia. “Nos deu mais do que qualquer reforma administrativa daria”, disse.

Precatórios

Guedes afirmou ainda que “tem senadores falando sobre tirar precatórios do teto”. “Acho isso um grande erro”, disse. De acordo com ele, essa medida “tornará as despesas judiciárias incontroláveis”.

Pouco depois, afirmou que medidas que acabem com a “arquitetura fiscal” podem diminuir o crescimento da economia no ano que vem. “Eu até perdoaria essas projeções de 0% [de crescimento] para o ano que vem”, disse.

O ministro também relatou que investidores de Dubai, onde ele esteve nos últimos dias, planejam investir US$ 10 bilhões em projetos de infraestrutura no Brasil.

“Os árabes não estão preocupados com taxas de juros internas”, disse. “Eles vão mandar US$ 10 bilhões.”

Ele ainda destacou que a venda de estatais, citando a Petrobras, poderia financiar programas de erradicação da pobreza. Também disse que medidas de estabilização de preços do petróleo, em um contexto de alta dos preços da commodity no exterior e desvalorização do câmbio, não são “a melhor saída”.

Teto de gastos

Guedes afirmou que a antecipação da revisão do teto de gastos “foi oportunista de um ponto de vista político, mas é razoável” em termos fiscais.

“A revisão não é uma ameaça à arquitetura fiscal”, disse.

Mas Guedes reconheceu novamente que a revisão “não veio do Ministério da
Economia”. “Brigamos até o fim para preservar o teto”, disse.

De acordo com ele, a medida vai prevenir “um desencontro” de despesas reais e do teto de gastos. O ministro também afirmou que as despesas com o Auxílio Brasil serão de “R$ 10 bilhões, R$ 12 bilhões a mais” e reforçou que os gastos primários ficarão em 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem. Ainda para 2022, projetou um déficit primário de 1% do PIB.

O ministro voltou a afirmar que discorda “das projeções dos bancos” para o
crescimento da economia brasileira. “Vamos ver o que acontece no próximo trimestre”, disse. “Os serviços estão bombando.”

Já o ciclo de alta de juros que vem sendo promovido pelo Banco Central (BC) “irá apenas desacelerar o crescimento”.

“Vamos ver o que acontece com quem está prevendo crescimento de 0% ou 1% [para 2022]. Vai ser uma vergonha”, disse. “O problema não será crescimento, será inflação resiliente.”

“Com certeza temos problema com inflação subindo, com as reformas não indo na velocidade necessária”, disse.

Ele relatou que esperava “uma atitude diferente do Senado” em relação às reformas, mas afirmou “que ainda há tempo para reconsiderar isso”. Também disse que o Brasil não precisa de um “planejador central” da economia.

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