Sábado, 05 de setembro de 2026

Ministro do Supremo André Mendonça rejeita deixar relatoria do caso Master apesar de sugestões de bastidores

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça não pretende abrir mão da relatoria do caso Master, apesar de a possibilidade ser apontada nos bastidores da Corte como uma saída para a crise em torno da investigação.

A relatoria do caso Master já mudou uma vez. O processo estava inicialmente sob a responsabilidade do ministro Dias Toffoli, que deixou o caso depois que a Polícia Federal encontrou menções ao seu nome em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. A situação se somou a questionamentos sobre a ligação de familiares de Toffoli com o resort Tayayá, no Paraná. Um fundo ligado ao Banco Master havia comprado participação no empreendimento.

André Mendonça foi escolhido por sorteio como novo relator. É nesse contexto que, agora, ministros voltam a discutir nos bastidores a possibilidade de uma nova troca no comando do caso.

A assessores, Mendonça afirmou que não foi procurado por nenhum colega da Corte para tratar do assunto e que, neste momento, não vê motivos para deixar a relatoria.

A controvérsia aumentou depois que, ao assumir o caso, Mendonça requisitou uma cópia do material bruto extraído do celular de Daniel Vorcaro.

A iniciativa provocou uma reação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusou o ministro de fazer uma “imersão em elementos dos autos para buscar indicativos de envolvimento de Alexandre de Moraes”.

Na avaliação da PGR, a medida significaria ultrapassar a fronteira entre as atribuições do juiz e as dos investigadores. Pela legislação, cabe ao magistrado zelar pela legalidade da investigação, e não conduzir diligências investigativas.

Diante dos questionamentos, Mendonça tem repetido que os dados requisitados nunca foram acessados. Segundo o ministro, o material permanece trancado e lacrado em um cofre em seu gabinete.

Mendonça, que foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, também demonstrou indignação, em conversas com assessores, com relatórios de inteligência da Polícia Federal anexados por Alexandre de Moraes ao inquérito das fake news. Ao comentar o conteúdo dos documentos, o ministro questionou: “A Federal está monitorando ministros?”, perguntou a interlocutores.

Um dos argumentos usados em defesa da saída de Mendonça da relatoria foi a revelação de que o magistrado se reuniu em março de 2025 com o banqueiro Daniel Vorcaro. Para o professor de Direito Constitucional da PUC de São Paulo, Pedro Serrano, isso impediria o ministro do Supremo Tribunal Federal de prosseguir como relator das investigações sobre os esquemas do Banco Master, avalia

Mendonça partiu para o tudo ou nada contra o colega Alexandre de Moraes. Sob ordens do relator, a Polícia Federal produziu um documento de 218 páginas repleto de menções a diálogos entre Moraes e Vorcaro.

Em ato contínuo, ao levantar o sigilo da peça, Mendonça escreveu que o “caminho inevitável” dos autos será o plenário e que a deliberação deverá ser “pública e transparente”, em sessão presencial a ser agendada pelo presidente Edson Fachin.

Há, porém, um potencial obstáculo jurídico: a PF só pode investigar um ministro do STF com o aval do plenário da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet também citado nas conversas de Vorcaro -, já defendeu anular o relatório, sob o argumento de que Mendonça não pode “valer-se da polícia judiciária como sua longa manus para atividades que não lhe foram assinaladas”. O ministro, por sua vez, poderá recorrer à alegação de que não investigou Moraes e que não sabia que o colega seria o interlocutor do banqueiro nos diálogos que mandou esclarecer. (As informações são do g1 e CartaCapital)

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