Sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de setembro de 2026
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nessa sexta-feira (11) derrubar o sigilo de casos de grande repercussão política derivados do escândalo do Master. Após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o magistrado tornou públicas investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, no qual o presidenciável Flávio Bolsonaro é investigado, além de apurações envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e outros casos.
Mendonça determinou o levantamento do sigilo de mais 38 processos. Somadas às decisões de quinta (10), 53 ações tiveram a restrição de acesso retirada em dois dias.
O inquérito contra Flávio Bolsonaro trata do financiamento da cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, o senador foi o “interlocutor direto” com o banqueiro Daniel Vorcaro para pleitear recursos, que seriam “geridos” posteriormente pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Os dois negam irregularidades.
Já o processo sobre Ciro Nogueira investiga sua suposta atuação no Congresso em favor de Vorcaro e do Banco Master. A Polícia Federal aponta o pagamento de vantagens financeiras ao senador, que nega as acusações.
No caso de Cláudio Castro, a investigação trata de supostas irregularidades no aporte de R$ 3,6 bilhões feito pelo Rioprevidência, fundo dos servidores do Rio, ao Banco Master. Os investigadores afirmam que houve uma manobra na direção do fundo para viabilizar operações consideradas de alto risco. Castro também nega irregularidades.
A decisão de Mendonça acolheu pedido do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho. Segundo ele, parte dos procedimentos ligados à investigação mais ampla da Compliance Zero, o caso Master, não havia sido incluída na lista de processos cujo sigilo foi derrubado na quinta-feira.
— Saiba o que já estava público em decisão anterior de Mendonça
* Compliance Zero
Principal inquérito do escândalo do Banco Master. Foi criado após o envio ao STF, por determinação do ministro Dias Toffoli, dos autos da investigação que levou à primeira prisão de Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado. Entre os procedimentos derivados está a investigação contra Flávio Bolsonaro sobre o financiamento de “Dark Horse”.
O relatório da PF cita que Flávio foi “interlocutor direto” de Vorcaro e questiona a participação de Eduardo Bolsonaro na gestão dos recursos.
* Atuação da Turma
Cinco procedimentos envolvem integrantes de “A Turma”, grupo criado por Vorcaro para perseguir adversários e obter acesso indevido a investigações sigilosas. Relatórios da PF mostram diálogos entre Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, incluindo discussões sobre medidas “mais drásticas”, um “sacode” contra desafetos e a possibilidade de dar “apenas um susto ou outra ação”. A PF também identificou que Vorcaro usava login de servidores do MPF para acessar processos sigilosos.
* BRB e Banco Central
Investigações tratam da atuação de Vorcaro para viabilizar a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os documentos revelam relações entre o banqueiro e servidores do Banco Central, incluindo um grupo de WhatsApp para tratar de assuntos do Master e o custeio de viagens internacionais por Vorcaro.
* Investigação sobre Moraes
O processo ganhou destaque após a divulgação de relatório da PF sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes antes da primeira prisão do banqueiro. O documento relata tentativas de Vorcaro de obter informações sobre investigações e delegados, além de conversas sobre Paulo Gonet, Andrei Rodrigues e o contrato de serviços advocatícios firmado entre Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Banco Master.
* Influenciadores
Investiga o chamado “Projeto DV”, plano de Vorcaro e Fabiano Zettel para contratar influenciadores e direcionar a opinião pública sobre o Master, Vorcaro e a aquisição pelo BRB. O inquérito também reúne conversas sobre monitoramento de redes sociais, incluindo referências a Flávio Bolsonaro.
Outros procedimentos incluem quebras de sigilo, o pedido de deflagração da 2ª fase da Operação Compliance Zero, que levou à nova prisão de Vorcaro em janeiro deste ano, e uma reclamação apresentada pela defesa do banqueiro para que o caso fosse enviado ao STF. (Com informações do jornal O Globo)