Quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

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Missões de empresários brasileiros ao Oriente Médio ampliaram conhecimentos e aprofundaram diálogo para exportação, importação e parcerias

Para além de cidades incríveis, que mesclam o tradicional com o moderno, do suntuoso Burj Khalifa – o edifício mais alto do mundo –, das paisagens desérticas e do petróleo que viabilizou uma grande transformação na região, os Emirados Árabes Unidos (EAU) se consolidaram como um hub estratégico para a comercialização de produtos com outros países árabes e com nações do mundo ocidental.

Como explica José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do  Plástico (Abiplast), o reconhecimento dos Emirados Árabes como importante player no mercado internacional deve-se ao estabelecimento de um ecossistema de inovação e da estrutura  desenvolvida pelo país com o objetivo de viabilizar o amplo comércio.

Todo esse investimento despertou o interesse global pela região, afirma o presidente da  Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.

“Nos Emirados Árabes, a abertura de negócios é ágil, há confiabilidade nos contratos, disponibilidade de infraestrutura e um foco crescente em investimento estrangeiro. Acreditamos que exista muito espaço para o fortalecimento dos negócios entre os Emirados e o Brasil”, prevê.

Foi apostando nesse potencial que, entre os dias 11 e 20 de novembro, Andrade, Roriz e outros 325 representantes de 230 empresas e instituições brasileiras partiram para Dubai. Eles integraram a Missão Prospectiva Brasil – Emirados Árabes Unidos, realizada pela CNI com o apoio da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).

A comitiva teve agenda técnica voltada para o conhecimento das formas de atuação no país, seja exportando, importando, fazendo investimentos ou buscando parceiros para projetos no Brasil. Também fez networking com companhias árabes e visitas a centros de referência.

Missão emblemática

O presidente da CNI lembra que a missão marca a retomada das viagens de negócio depois de restrições para combate ao coronavírus:

“Foi muito emblemático que essa primeira missão [desde o início da pandemia] ocorresse em Dubai, que recebe uma das maiores exposições mundiais, a Expo Dubai 2020, adiada devido à Covid-19. Faz sentido que a gente realize uma grande missão empresarial focada em trazer novas oportunidades de negócio para a indústria brasileira.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, acredita que a Expo Dubai seja um espaço estratégico para o setor industrial.

“Independentemente de fazer negócio direto com um país, você tem uma zona de influência construída com muita competência. É um momento importante para os países mostrarem seus atrativos.”

Dono e presidente da Carolina Baby, indústria e comércio de móveis infantis, Aureo Barbosa conta que a empresa já possuía relação comercial com o país, mas viu na missão oportunidade para conhecer avanços tecnológicos e dimensionar seu potencial como fornecedor.

“Nossa relação com os Emirados Árabes começou quando, em 2019, recebemos a visita de uma em- presa à procura de móveis infantis. Com os produtos testados e consagrados, pretendemos expandir as exportações, inclusive com novos produtos. Em Dubai, enfatizamos que utilizamos matérias primas de florestas replantadas e contribuímos para o equilíbrio do dióxido de carbono livre na atmosfera”, conta Aureo.

Outra organização que exporta para o Oriente Médio e embarcou com o objetivo de ampliar as relações comerciais é a Provest. Como explica o gerente de Estratégia, Victor Araújo, a empresa comercializa uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs) para Dubai e Omã desde 2019.

“Fechamos parceria com uma firma local de distribuição, que nos representa no Oriente Médio. A partir disso, fomos desenvolvendo mercados em conjunto e fechando contratos de fornecimento.”

Comércio aberto

No que depender das relações diplomáticas e comerciais entre o Brasil e os países árabes, a missão tem tudo para resultar em bons negócios para ambos os lados. A aposta é do secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Tamer Mansour.

“O Brasil, por sua tradição diplomática não beligerante, sempre foi visto como um país amigo no mundo árabe”, diz.

Os setores produtivos do Brasil e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) estão empenhados em estreitar as relações econômicas e fomentar oportunidades de negócios e investimentos entre os dois países. Esta será a missão do Conselho Empresarial Emirados Árabes Unidos-Brasil, criado em Dubai, em solenidade durante a missão liderada pela CNI ao país da Península Arábica. O memorando foi assinado pelo presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e pelo presidente da
Federação das Câmaras de Comércio e Indústria dos Emirados Árabes Unidos (FCCI), Abdullah Al Mazrui.

Segundo o acordo, CNI e FCCI promoverão maior entendimento entre os setores privados dos dois países sobre as políticas econômicas, comerciais e de investimentos, de forma a ampliar o conhecimento mútuo sobre os ambientes de negócios. As entidades apresentarão aos governos de seus países propostas para aprofundar as relações econômicas entre Brasil e EAU.

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