Quinta-feira, 03 de setembro de 2026

Na Expointer, Flávio Bolsonaro minimiza encontro do ministro André Mendonça com Daniel Vorcaro e chama o episódio de “cortina de fumaça”

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) minimizou, nessa quarta-feira (2), durante a Expointer, em Esteio (RS), o encontro entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Para o senador, a reunião não compromete a atuação do magistrado no caso envolvendo a instituição financeira e classificou as críticas ao ministro como uma “cortina de fumaça”.

Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de Mendonça ficar impedido ou sob suspeição para atuar no processo, Flávio descartou a hipótese e afirmou que a reunião teve caráter profissional.

“Óbvio que não. É impossível querer lançar uma cortina de fumaça como essa contra o ministro André Mendonça. Pelo que eu vi na nota que ele publicou, foi numa época que ele sequer era relator dessa ação, tratando de um assunto específico registrado em sua agenda. Portanto, algo totalmente profissional, muito diferente do que fez Alexandre de Moraes”, afirmou.

A declaração foi dada após um almoço com representantes do agronegócio gaúcho durante a Expointer, feira agropecuária realizada em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Mendonça, que atualmente é o relator do caso do Banco Master no STF, confirmou ter recebido Vorcaro em um instituto em São Paulo, no início de 2025. De acordo com o gabinete do ministro, a reunião teve como objetivo tratar de uma ação em tramitação no Supremo relacionada a créditos de precatórios de interesse do banco.

O magistrado afirmou ainda que Vorcaro teria procurado outros ministros para tratar do mesmo assunto. A informação sobre o encontro foi divulgada nesta quarta-feira, inicialmente pela newsletter “Noites Húngaras”, do jornalista Paulo Motoryn, publicada no Substack, e posteriormente reproduzida pelo ICL Notícias.

Segundo a justificativa apresentada pelo gabinete, a reunião não teve como pauta a venda do Banco Master. Mendonça também afirmou que o encontro ocorreu antes de assumir a relatoria do caso relacionado à instituição financeira.

A divulgação da reunião ocorreu um dia depois de Mendonça determinar a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que reúne suspeitas sobre possíveis relações impróprias entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.

Flávio, por sua vez, voltou a fazer críticas a Moraes e defendeu o afastamento do ministro do STF. Na avaliação do candidato, Moraes teria cometido “diversos crimes” e utilizado o cargo para proteger Vorcaro.

“É inadmissível, com o que veio à tona, ele continuar sendo o ministro do Supremo”, declarou.

Ao comentar eventuais pedidos de impeachment contra Moraes, Flávio afirmou que sua bancada de oposição já apresentou mais de 50 solicitações contra o ministro. Ele também mencionou iniciativas semelhantes relacionadas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Apesar das críticas direcionadas a Moraes, o candidato disse que pretende “defender” o STF e afirmou que os episódios envolvendo o ministro não deveriam comprometer a imagem de toda a Corte.

“A gente não pode mais admitir que uma laranja podre contamine todas as laranjas. Temos que fazer uma defesa intransigente para o Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Flávio também declarou que, se for eleito presidente, terá a responsabilidade de indicar cinco novos ministros para o STF. Segundo ele, buscará nomes que sejam contrários às drogas e ao aborto e favoráveis à defesa da propriedade privada.

Segurança pública

Durante a agenda no Rio Grande do Sul, Flávio também apresentou propostas para a área de segurança pública. Entre as medidas citadas está a intenção de dobrar o número de presídios federais e criar 500 mil novas vagas no sistema prisional.

O candidato afirmou ainda que pretende mudar a denominação das unidades federais, que passariam a ser chamadas de “treva”. Ele defendeu também o endurecimento das penas e declarou que o roubo de celular deveria ter pena mínima de oito anos. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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