Quarta-feira, 10 de junho de 2026

Na guerra e na eleição, a verdade é a primeira a morrer

O cenário é preocupante. O desencontro e a parcialidade das notícias, cada vez mais manipuladas, tornam o cidadão refém de narrativas assustadoramente divergentes dos fatos e da verdade.

A política, que deveria ser tratada dentro dos seus limites, parece ter entrado em estado epilético e atropelou completamente a ética jornalística e o bom senso.

A explosão das pesquisas dirigidas, as agências de checagem de fatos que tentam transformar verdades em mentiras e vice-versa, e o absoluto despudor das narrativas absurdas tratadas como “opinião”, fazem o caldo degenerativo da informação no Brasil virar um monstro na arte de desinformar.

Nada passa incólume pelo crivo político ideológico. A informação virou mercadoria adaptável ao público alvo como se houvesse muitas verdades sobre o mesmo fato, dependendo de quem a usa e a quem se dirige.

Nesse contexto assustador, o governo federal decidiu literalmente “pôr a mão” na internet com foco nas redes sociais, e assumir um papel que sempre foi do judiciário.

O pretexto de regular as redes vem no arrasto de um totalitarismo inerente às políticas de domínio absoluto sobre o que o cidadão pode ou não saber.

O devastador poder econômico do governo central já exercido sobre os grandes conglomerados midiáticos não impede que os fatos naveguem livremente nas redes sociais, e mesmo com as conhecidas exceções, servem de refúgio para a verdade.

Comprar a internet é impossível e nenhum dinheiro do mundo tem esse poder. Nisso está o calcanhar de Aquiles da mentira, do proselitismo e da narrativa ideológica, e é onde começam os problemas de quem precisa disso para sobreviver politicamente.

A história relata fartamente que, nos conflitos ao redor do mundo, as versões sobre os fatos da guerra sempre obedecem a lógica do interessado na notícia, ou seja, o seu portador, notadamente se vinculando a um feito heroico ou meramente conquista circunstancial.

Na política, essa supressão da verdade tem por objetivo remeter o receptor da notícia à uma conclusão voltada exclusivamente ao interesse de quem a propaga.

Mesmo verdadeiro, um fato relatado parcialmente e sem o seu contexto induz a conclusões distorcidas que atendem sempre um objetivo claro de encaminhar o julgamento ou interpretação da notícia ao desejo de quem a produz ou veicula.

Essa manobra, cada vez mais complicada pela força e independência das redes sociais, virou um problema sério para quem sempre fez e faz uso da mentira como forma de dominação.

Assim como nos conflitos, a verdade aqui sucumbe aos interesses. Numa guerra, os dois lados estão sempre vencendo, até que um venha a sucumbir.

Em ano eleitoral, os dois lados perdem com qualquer resultado.

* Gustavo Victorino, deputado estadual do RS

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